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Braga. Foto de carrinha a ocupar passeio reacende debate sobre mobilidade reduzida

Redação
Escrito por Redação

Uma foto publicada esta segunda-feira através das redes sociais reacendeu a questão dos direitos dos cidadãos com mobilidade reduzida em Braga.

A publicação de Olesia Veropaieva, residente em Braga, mostra uma carrinha estacionada com a traseira a ocupar a totalidade do passeio, impedindo a passagem de um carrinho de bebé, na Rua Cónego Luciano Afonso dos Santos, na freguesia de São Vicente.

Segundo a autora, esta é uma forma de mostrar que existem problemas para cidadãos com mobilidade reduzida.

“Uns a trabalhar e outros a passear…”,  pode ler-se em um dos mais de 200 comentários que a publicação originou, “Só faltava pedir ao homem para desviar a carrinha para a sua alteza continuar o seu passeio”, acrescenta o mesmo autor, referindo-se à autora como “uma princesa”.

Outro apela ao bom senso, dizendo que “se estacionasse ao contrário ficava na faixa de rodagem”, acusando a publicação de ser exemplo do “criticar tudo o que se vê a frente”.

Alguns destes comentários provocaram a ira de algumas pessoas, alguns dos quais com familiares que se deslocam em cadeira de rodas elétrica.

Uma bracarense deu o exemplo da mãe que chama sempre as autoridades para rebocarem as viaturas que obstruam os passeios, contando que na noite de Natal, um vizinho deixou o carro em cima de uma rampa de acesso, impedindo que a mãe conseguisse entrar em casa.

A mesma alerta ainda para o facto de subir e descer passeios de forma brusca pode danificar este tipo de cadeira de rodas que é um produto de preço elevado.

A questão dos portadores de mobilidade reduzida serem impedidos de utilizar os locais a que têm direito não é uma questão de superioridade, como referiu este mês a especialista em Direito, Catarina Santos Botelho, escrevendo que “o que se visa não é dar a essas pessoas mais direitos do que aos demais – colocando-as numa posição de superioridade – mas sim, nivelá-las às restantes pessoas que não têm deficiências motoras”.

“Esta é, portanto, a igualdade material, em que a lei opera como instrumento ativo e promotor de igualdade”, diz a especialista.

Segundo um alerta do Instituto de Mobilidade e Transporte relacionado com a acessibilidade pedonal nas cidades, cerca de dois milhões de portugueses têm mais de 65 anos, o que representa uma maior probabilidade de aumento da dificuldade de mobilidade nas cidades.

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