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Vila de Prado. O melhor maduro tinto é no Chico da Galinheira

(c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Passou a vida em França a trabalhar na construção mas o sonho de uma vida trouxe-o de volta à terra do coração, a Vila de Prado, onde abriu uma “tasca” que hoje é “mais do que uma associação”.

Francisco Rodrigues tem 70 anos e é o feliz proprietário do estabelecimento “Chico da Galinheira”, no lugar de Pontido, entre as freguesias de Prado e Cabanelas.

O Semanário V foi conhecer o estabelecimento que tantos elogios amealha por entre os frequentadores, que já chamam ao local uma “espécie de associação”.

Ao V, o “Chico” contou um pouco da vida “dura” que o levou até França. Emigrou para França ainda menor, em 1965, arranjando trabalho na construção civil. Lá, conheceu a esposa, Veronique, francesa, que o acompanhou vários anos depois para Portugal. E Chico não desistiu até que a família o seguisse, pois, segundo o próprio, “Prado é que é a terra que gosto”.

E se em França nasceram três dos cinco filhos do casa, os outros dois já nasceram em Portugal, após a vinda da família na década de 80. Ao chegar a Portugal, “Chico” começou por comprar um camião e dedicou-se ao transporte de mercadorias de construção durante largos anos, até que, em 1988, abriu o estabelecimento que haveria de ficar para sempre conhecido como “Chico da Galinheira”.

E o nome, apesar de pitoresco, não tem qualquer segredo na origem. A minha avó já vivia aqui e vendia galinhas, então toda a gente chamava a “Quina Galinheira”. Eu também fiquei sempre conhecido por “Chico da Galinheira”, por ser neto dela, então, em jeito de homenagem e porque era assim que me conheciam, dei esse nome ao café”, conta Francisco.

E hoje, o Chico da Galinheira continua com o mesmo sucesso do início, embora se “venda menos que antigamente”. “Isto aqui funciona um pouco como uma associação. O pessoal aqui da zona vem cá para conviver, provar uns petiscos e beber uma boa malga de vinho”, atira o comerciante, prontamente secundado por um dos clientes, o “senhor David”, como fez questão de se identificar.

“Venho cá para beber o maduro tinto que é o melhor da região”, refere o cliente, perante sorrisos e acenos de cabeça dos outros clientes, confirmando ainda o epíteto de “associação” ao estabelecimento.

“E quando são as provas na Feira dos Vinte, isto aqui enche de concertinas e é dos melhore sítios para se beber um copo também nessa altura”, refere outro dos clientes, que preferiu não divulgar o nome. “A minha mulher não sabe que estou aqui”, refere o pradense incógnito, entre risos.

Mas, e com anonimatos à parte, outro dos bem conhecidos atrativos do Chico da Galinheira passa mesmo pelo arroz de frango. “Mas não é cabidela”, refere. “Fazemos arroz de frango e arroz de coelho, os clientes costumam gostar muito”, diz Francisco, enquanto serve outra malga de tinto maduro ao “senhor David”.

Para o futuro, e hoje com 70 anos e sem haver ninguém que queira pegar no negócio, Francisco Rodrigues diz que vai mantendo a porta aberta enquanto for possível. “Os filhos não estão para aí virados”, lamenta, mas sem se preocupar muito. “Enquanto for dando, estou por aqui”, finaliza o proprietário, que, apesar de ter criação de frangos em casa, não os vende.

“Estas são para os ovos e para consumo próprio”, refere, dizendo que ‘Galinheira’ para vender galinhas era a minha avó. Nós aqui é mesmo para comer”, finaliza.

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Jornalista