Braga

Movimento cívico de Braga conhecido por ser crítico deixa elogios a Ricardo Rio

(c) Mariana Gomes / Semanário V
Fernando André Silva

O movimento cívico Braga para Todos, que está na linha da frente na reivindicação de várias soluções para probelmas do foro animal e ambiental na cidade de Braga, deixou esta segunda-feira elogios à Câmara de Braga e ao presidente Ricardo Rio, pelas medidas tomadas na assinatura do protocolo do município om a Ordem dos Veterinários.

Esse protocolo, amplamente elogiado pelo movimento liderado por Elda Fernandes, consiste na aplicação de uma nova lei relacionada com políticas de proteção animal, e que vai permitir o final do abate de animais nos centros de recolha (CRO) assim como o início da campanha CED (capturar, esterilizar e devolver), para além da aquisição de uma ambulância de apoio a animais e uma ajuda veterinária a famílias carenciadas com animais domésticos.

Segundo o movimento, a agenda de trabalho dos partidos políticos em Braga, antes das eleições, revelava um “grande desconhecimento” e “inércia” para “mudar o paradigma que assola a cidade relativo a animais de rua abandonados e descontrole populacional” desses animais.

Segundo Elda Fernandes, foram realizadas várias campanhas de sensibilização junto dos diferentes partidos e candidatos às autárquicas em 2017 que acabaram por recolher alguns frutos.

O movimento deixa mesmo o elogio a Ricardo Rio, de quem é habitual crítico, afirmando que se assistiu a “uma atitude positiva em acolher todas as propostas” do Braga para Todos, mencionando que algumas foram integradas no programa eleitoral da coligação vencedora.

No entanto, e em sintonia com outras críticas lançadas recentemente ao executivo municipal, este movimento alerta para a ‘promessa’ de uma Casa dos Gatos, que ainda não existe, entre outras medidas relacionadas com os felinos de rua.

“Apesar de ouvirmos muitas vezes a oposição dizer que não ia dar em nada e a ter a pior atitude que se pode ter em política: não lutar pelo que se acredita ser melhor para todos, sempre insistimos naquilo que acreditamos e felicitamos Ricardo Rio pela aquisição da ambulância integrante das nossas propostas, a par do avanço do CED e apoio a famílias cadenciadas com animais”, afirma Elda Fernandes, que apenas lamenta a demora do processo.

O movimento alerta no entanto que o CED deve ser acompanhado pela CMB e “não ficar apenas no ónus das associações de Braga, que aceitaram o protocolo”.

“Ricardo Rio deve reforçar a equipa alocada aos animais de rua e ter funcionários camarários para o CED, a par das associações que se disponibilizaram-se a fazê-lo”, refere Elda Fernandes.

“Recentemente conversamos com uma associação legalizada: a Abandoned Pets, que aceitou entrar no processo referido e já sinalizou as primeiras colónias a esterilizar”, acrescenta a porta-voz do movimento.

Associação Saquetas de Rua não concorda e sente-se discriminada

Em comunicado, outro movimento cívico ligado à defesa dos animais – Associação Saquetas de Rua – aponta “meses de espera” pelo contacto com a autarquia, questionando o porquê de não estarem previstas verbas para esterilização de gatos de rua no bolo global de 25.000 euros no orçamento para ajudar animais desprotegidos.

Segundo Sónia Marinho, presidente da associação que esterilizou voluntariamente mais de uma centena de gatos em 2017, a Câmara “tenciona gastar uma parte significativa na esterilização dos animais” nos Centros de Recolha Autorizados (CRO), mas não prevê “nenhuma verba para esterilização de gatos que procriam na rua descontroladamente”.

Sónia Marinho afirma que a ‘Saquetas de Rua’ é a única associação legalizada do concelho de Braga que prevê nos seus estatutos o método capturar, esterilizar e devolver (CED) não achando “normal que Ricardo Rio não tenha contactado a associação, quando afirma que está a desenvolver o CED em parceria com associações devidamente acreditadas”.

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Jornalista