Andreia Santos Opinião

Opinião: “25 de Abril Sempre”

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

Estou a escrever este texto um bocadinho antes, mas ele sairá no dia 25 de Abril. Esta data é importante para mim. Ser livre é importante. Joanna Coles, autora do Love Rules e Diretora da Marie Claire escreveu: “Vivemos num mundo politicamente correto e temos mentido sobre as mulheres”. De facto. E acrescenta mais ou menos isto: “Não tenho problema nenhum em entender que as mulheres se podem interessar por eyeliners e ao mesmo tempo pelo Médio Oriente.” Mas é sobre intimidade nos dias de hoje que a editora fala mais. Nas mentiras que nos contamos e que terminam em vazios e narrativas de despersonalização e falta de poder. Digo-o muitas vezes e hoje escrevo: falar de amor não é ser tolo. Mas não temos a coragem de o dizer, em primeiro lugar a nós. Viver uma vida desconectada: com amizades que não o são, amantes que não o são não será o caminho.

Em especial, diz: as mulheres bem sucedidas têm uma dificuldade maior em enfrentar os seus ideais românticos, pelo prejuízo que associam à sua imagem de mulher independente. Mulheres ambiciosas terão maior desconforto em falar em voz alta sobre o amor e a sua luta por o encontrar: antecipando que sinalizará uma espécie de fraqueza na sua identidade de dona de si mesma, colocando-a em risco. Pois… Nada disso… mentir sobre o que sentimos será fazer menos de nós. Pode ser que nunca tivesse o desejo de me casar, ou que o tivesse… em qualquer um dos casos há que ser honesto sobre isso. Encontro muitas pessoas. Inteligentes, bem sucedidas, sozinhas. Que vivem experiências menos gratificantes porque não conseguem enfrentar que não terão que o fazer. Aguentar estar com alguém menos respeitador que o que se espera, porque não se quer ou se tem medo de ficar só. Viver de relacionamentos ocasionais que nada têm de ocasionais…

Em consulta, um dos trabalhos que faço é ajudar pessoas a perceber que são elas que fazem escolhas ao invés de serem escolhidas. E com isto quero dizer: é, em primeiro lugar fundamental saber o que queremos. Medir o coração. Este será o maior amor de todos e o que torna o outro possível. Não será “old fashioned” querer casar e ter filhos, será perverso não conseguir expressar que não há nada mais essencial e seguro que o amar alguém que nos ama de volta.

Acredito que as nossas histórias são para honrar e que só através desse processo de aceitação e aprendizagem conseguiremos chegar a uma natureza verdadeira e fazer as escolhas que terão mais que ver connosco, independentemente do que externamente será valorizado. Isto será liberdade. Recentemente, no artigo: “Why is the greatest love of all also the hardest?”, Steve Almond e Cheryl Strayed evocaram o mesmo princípio, abordando a dificuldade de encontrar uma narrativa pessoal fora da sensação: “Proud of Everyone But Myself”. Os autores falam da importância do que nos contamos nos resultados a que chegamos. E sim, muitas vezes, por muitas lutas vencidas que experimentamos não conseguimos deixar de sentir que não somos o suficiente. Concluindo que a melhor forma de ultrapassar este entendimento negativo sobre nós será acreditar no processo de crescimento, no que as nossas emoções nos dizem, assumir que elas terão razão e nos fazem continuar bem, apesar das lutas por que passamos.

Hoje, que as mulheres e homens declarem o que precisam e gostariam de viver sem medo. Isto de ser autêntico é ser livre, e dá trabalho, mas sem armas, trará a revolução. Passados 44 anos do 25 de Abril ainda deixamos que nos digam como viver. Até já!

Comentários

Acerca do autor

Andreia Santos

Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional