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ANPC. Incêndio que varreu montes de Braga terá começado três dias antes em Guimarães

Fernando André Silva

O relatório de uma comissão técnica independente que avaliou as circunstâncias dos últimos grandes incêndios de 15 de outubro de 2017 a pedido da Assembleia da República apontou carências na vigilância por parte da Câmara de Braga e das confrarias dos sacromontes da cidade.

O relatório foi alvo de críticas por parte da Câmara de Braga, que vai responder à Assembleia da República (de onde emanou a comissão) para, de uma forma geral, dizer que não concorda com a avaliação do incêndio que, segundo o relatório teve início três dias antes em Leitões, Guimarães, e se estendeu para os montes da Falperra e do Bom Jesus.

Ao Semanário V, o vice-presidente da Câmara de Braga e responsável pela Proteção Civil, Firmino Marques, adianta que a Câmara “vai responder” ao relatório, que apontou, num breve trecho, algumas críticas ao dispositivo de formação e vigilância dos Municípios de Braga e Guimarães e às confrarias responsáveis pelos santuários que ficaram rodeados pelas chamas.

“Não existe nenhum dispositivo particular para a salvaguarda desta área (junto aos santuários) apesar dos interesses turísticos religiosos. Nem por iniciativa dos municípios nem da parte das confrarias, principais interessadas”, aponta a conclusão do relatório relativamente ao incêndio de 15 de outubro que devastou mais de 1000 hectares de floresta.

No relatório, é apontado que o grande incêndio nas encostas de Braga foi um reacendimento de um incêndio anterior, que ocorreu no dia 12, em Leitões, Guimarães.

Segundo Firmino Marques, a autarquia, “de uma forma global”, não concorda com os pareceres dos especialistas.

“O posto de vigilância da Falperra existe e tem uma entidade responsável que é a GNR”, começa por dizer o vice bracarense, apontando ainda que o Município tinha “como prioridade a observação noturna e diurna daqueles montes, acompanhando assim as diretivas a nível nacional da ANPC”.

Firmino Marques aponta várias entidades que trataram da vigilância e que as mesmas estiveram sempre no terreno e refere que o regimento de cavalaria n.º6 já faz essa vigilância há vários anos, com estruturas próprias.

O vice diz também que o Município de Braga conta com a ajuda da Associação Florestal do Cávado como “gestores de área de combustível e vigilância” e com a Polícia Municipal que “adquiriu vários meios há vários anos na área da vigilância”.

“É de todo inverdade que essa falta de vigilância seja relevante para o que sucede, porque a estrutura existe, a formação existe é conhecida, e não sabemos de onde foram tirar essa ideia. Nem sequer fomos ouvidos”, acrescentou Firmino Marques.

Ao Semanário V, o responsável da Proteção Civil disse esperar que este ano haja um maior número de operacionais disponíveis para combater as chamas.

“Vamos ter uma nova EIP em funcionamento para esta época de fogos, o que revela o interesse em investir nesta área por parte do Município. Temos também 13 novos recrutas nos Sapadores de Braga a partir de 2 de maio e vamos ter mais meios para prevenção e aumentar a capacidade de resposta”.

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Jornalista