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Braga. Grupo Casais pede desculpa após denúncia da DECO

Fernando André Silva

O Governo português lançou há poucos dias um novo programa chamado Casa Eficiente 2020 para apoiar construções energeticamente eficientes. O Grupo Casais, empresa de Braga, já tinha um site com nome similar e terá começado a receber candidaturas de utilizadores que pensavam estar a inscrever-se no programa governamental. Passado uns dias terão recebido orçamento da empresa, em vez da resposta do Governo à candidatura.

A associação para a defesa do consumidor (DECO) alertou no passado sábado para um “aproveitamento” por parte da construtora da Braga para com utilizadores da internet, por a mesma ter um site similar a um pertencente ao Governo que oferece alternativa financeira para intervenção em casas e que, segundo a DECO, poderá induzir em erro os utilizadores.

O programa governativo em questão é o “Casa Eficiente 2020”, que foi anunciado pelo Governo no passado dia 12 de abril e que visa oferecer um empréstimo a quem queira construir casas eficientemente energéticas.

Segundo Bruno Santos, relações internacionais da Deco Proteste, “existe um aparente aproveitamento que está a ser feito do programa Casa Eficiente 2020″.

“Vários consumidores alertaram a DECO para o facto de que, quando fazem uma simulação no site casaeficiente.com para obras de melhoria da eficiência energética das suas habitações, são imediatamente contactados por uma empresa que se disponibiliza a trabalhar para eles”, acusou no passado sábado o representante daquela associação em declarações ao jornal Dinheiro Vivo.

“Está a causar confusão, porque muitas pessoas vão ali fazer uma simulação com os seus dados, que são enviados não se sabe bem para quem e para onde”, alerta Bruno Santos.

“Queremos saber quem está por trás deste site”, refere ainda o representante da DECO.

Ao que o Semanário V apurou junto do site casaeficiente-com, não existe qualquer menção do nome “Grupo Casais” no referido website. No entanto, no espaço da política de utilizador, as possíveis reclamações dos utilizadores remetem para a morada do grupo, em Tibães, Braga.

Grupo pede “desculpa” pela possível existência de “alguma confusão”

Contactado pelo V, o departamento de comunicação do Grupo Casais confirma a existência do dito website e pede “desculpa” pela possível existência de “alguma confusão”.

“Começamos por esclarecer que, se existiu alguma confusão, não foi de todo intencional. A nossa empresa está no mercado para auxiliar na tomada de decisões informadas”, começam por referir os representantes do grupo, esclarecendo que ” a marca ‘Casa Eficiente’ está registada e os direitos da mesma remontam a 2009″.

No entanto, a empresa refuta qualquer “aproveitamento”, indicando que “a Casais não irá, seguramente, executar trabalho de construção civil nesta área, até porque se tratam de pequenas intervenções espalhadas o todo o território nacional”.

“Seja antes ou depois de qualquer programa do Governo, a necessidade de ter casas eficientes vai continuar e, mesmo depois do fim deste programa, contamos poder continuar a contribuir com a nossa competência para melhorar os sistemas e métodos de construção”, refere o grupo.

“Assim, e caso tenha ocorrido alguma confusão, apresentamos as nossas mais sinceras desculpas. Das pessoas que se registaram, voltámos ao contacto com as mesmas depois da notícia do passado sábado, no sentido de clarificar e informar sobre o nosso serviço, sendo que apenas 0,7% solicitou que eliminássemos os seus contactos, o que sucedeu de imediato”, assegura o grupo em nota enviada à nossa redação.

O grupo refere ainda estar “totalmente disponível para ajustar qualquer mensagem que possa estar na origem da confundibilidade com o atual programa do Governo”.

“Nesse sentido, tentámos o contacto telefónico com a DECO, para esclarecer e recolher mais informação sobre como o fazer, mas a mesma remeteu-nos para um contacto via email, já efetuado”, finaliza o grupo, que terá alterado o site no passado sábado depois do alerta deixado pela DECO.

Recorde-se que o programa Casa Eficiente 2020 é promovido pelo Governo e dinamizado pela Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, é financiado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) e os pelos bancos comerciais aderentes.

O programa visa conceder empréstimos em condições favoráveis a intervenções que promovam a melhoria do desempenho ambiental dos edifícios de habitação particular, nos domínios da eficiência energética, utilização de energias renováveis, eficiência hídrica e gestão de resíduos sólidos urbanos.

Para o período de 2018 a 2021, o valor total disponível de financiamento é de 200 milhões de euros.

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Jornalista