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“O nosso planeta está doente. Passámos de neve a temperaturas de 30 graus”

Pedro Machado - Diretor Geral da BRAVAL (c) Mariana Gomes / Semanário V
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Em entrevista ao Semanário V no contexto dos recentes resultados positivos da empresa – é que mais recicla no país em termos de per capita – Pedro Machado disse o que pensava sobre o aquecimento global e sobre o fenómeno meteorológico de em poucos dias passarmos de neve para 30 graus, e vice-versa.

“As pessoas esquecem-se que isto é mesmo a sério. É uma realidade. Quando se fala do aquecimento global, do degelo e que reciclar é necessário, porque o que acontece é gravíssimo, as pessoas não prestam atenção. Isto não são fundamentalismos”, começa por referir o gestor.

“Há quase 30 anos, houve uma tese de mestrado em que dizia que, com o aquecimento global e com o degelo, as nossas costas iriam recuar cerca de 1 km, em 60 anos. Isto foi há 30 anos. O que é facto é que, se as pessoas se lembrarem de como era a costa das Marinhas, a costa da Apúlia, de Moledo, Ofir, chegavam a ter centenas de metros de areia em maré vaza. Hoje, a maré viva já derrubou casas na Apúlia, em Esposende… só nos últimos dois anos. Isto é de facto preocupante”, alerta Pedro Machado.

“Nós temos filhos e se olharmos para o lado, estamos a hipotecar o futuro das gerações futuras. Esta situação não é fundamentalismo, é mesmo a sério. Não são dramatizações, são realidades que precisam de atenção, é preciso olhar para elas com grande rigor”, alerta, apontando catástrofes e fenómenos naturais que têm acontecido: “estar a nevar no início da primavera, em Portugal, e uma semana depois ter temperaturas de 30 graus. Antes não acontecia isto. O nosso planeta está doente. Passámos de neve a temperaturas de 30 graus e isto é preocupante”, diz Pedro Machado.

“O que aconteceu no pulmão do mundo, na Amazónia, foi devastador. Nós, o planeta, consumimos o equivalente, em meia dúzia de anos, à Península Ibérica em árvores. É óbvio que isto tem de parar, os nossos recursos são esgotáveis, são escassos, por isso temos de reciclar. Não estamos a dramatizar, é real. É lamentável que tenhamos líderes do mundo, de países líderes mundiais, cujos responsáveis são verdadeiros ignorantes”, finaliza.

(Leia a entrevista completa na edição impressa do Semanário V 119, já nas bancas)

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