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Opinião. “Ideias (de negócio) há muitas…”

Rui Pinheiro
Escrito por Rui Pinheiro

Numa altura em que, o mercado é cada vez mais volátil, competitivo e os consumidores estão cada vez mais exigentes, é necessário pensar muito bem antes de avançar com uma ideia de negócio. Embora este ano tenham já sido criadas mais de 13 000 empresas, não podemos deixar de olhar para o n.º de empresas dissolvidas, que ascendeu as 14 000.

Todos os dias vejo empreendedores com ideias de negócio únicas e cheias de potencial, afirmam ter A IDEIA. Mas, o futuro continua a ser totalmente imprevisível e mesmo com os incríveis avanços tecnológicos que se fizeram sentir, ainda não foi inventado nenhum robot que “prevê” realmente o futuro, como o Zoltar que Tom Hanks utilizou no filme Big em 1988. Peter Drucker disse ao mundo que se “não podemos prever o futuro, podemos criá-lo”, eu acredito que devemos prepará-lo – pelo menos no que diz respeito às ideias de negócio.

Acredita que, teres apenas uma uma ideia de negócio, atualmente vale muito pouco – o verdadeiro valor está na forma como a executas. Mas atenção, antes de gastares tempo e dinheiro a por em prática a tua ideia de negócio deves validá-la, por isso faz uma versão bastante simples e básica daquele que vai ser o teu produto/serviço (chamado MVP ou produto mínimo viável) e vai testá-lo: fala com pessoas, coloca o teu MVP no meio dos “potenciais” clientes/utilizadores, ouve-os, aprende com eles e vai melhorando o teu produto com o feedback que vais obtendo.

De certeza que já te vieram à cabeça questões como:

– devo contar sobre a minha ideia a alguém ou irão roubar-ma?

Ora, em primeiro lugar, se queres desenvolver a tua ideia de negócio tens de a testar antes, logo tens de contar às pessoas sobre ela. A probabilidad de alguém te roubar a ideia é bastante baixa, se alguém manifestar interesse na mesma só vem provar que estás no bom caminho;

– preciso de plano de negócios?

Depende, se te encontras mesmo numa fase inicial (e de validação de ideia) e se não vais pedir nenhum apoio financeiro, não precisas de plano de negócio. Steve Blank, empreendedor e professor em Stanford, defendeu que “nenhum plano de negócio sobrevive ao primeiro contacto com um cliente (…) enquanto os planos são estáticos os modelos de negócio são dinâmicos”. Logo, numa fase inicial o que importa é definir bastante bem o modelo de negócio, por outras palavras, perceber de que forma é garantida a sustentabilidade da ideia de negócio – existem ferramentas como o Businel Model Canvas, criado pelo suiço Alex Osterwalder que são bastante úteis nesta fase;

– como consigo que investidores invistam na minha ideia de negócio?

Este ponto é bastante sensível, pois nenhum investidor investe numa ideia de negócio. Investidores investem em produtos/serviços mais maduros e desenvolvidos com base em ideias testadas e validadas ou com clientes/utilizadores.

– então devo avançar?

Se tens uma boa ideia de negócio, se a testaste e encontraste clientes, se a validaste e definiste o modelo de negócio mais adequado… Sim! De que estás à espera para avançar? Mas não te esqueças: as pessoas não compram produtos ou serviços, compram soluções para os seus problemas! O teu produto/serviço vai resolver algum problema?

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Blogger “O empreendedor bracarense”