João Paulo Silva Opinião

Opinião. “Sócrates e Vieira – um problema de elites”

João Paulo Silva
Escrito por João Paulo Silva

Portugal terá sido objeto de uma apreciação romana que nos qualificava como um povo ingovernável, pelo menos aos olhos dos líderes Romanos – “não se governam, nem deixam governar”, terão dito.

Pode parecer um absurdo, mas esta frase ganhou todo o sentido com a luz que se fez sobre o hipotético comportamento de Manuel Pinho, ministro de José Sócrates.

José Sócrates ou Armando Vara, Dias Loureiro ou Duarte Lima, tal como os mafiosos do BES ou do BPN fizeram (fazem?) parte de uma elite dirigente a quem nós, enquanto povo, tudo permitimos.

Não pretendo fazer juízos de valor, nem negar o estado de direito, mas perante estes casos o trabalho da área da justiça é necessário, porém insuficiente.

Temos todos que aumentar o grau de exigência em relação a esta multiplicidade de casos que não são de corrupção. Como muito bem lembrava há uns dias um cronista no Público, este cabaz de malandros mostra que não estamos na presença de portugueses que chegando ao poder, se deixaram corromper. Há quem diga que o poder corrompe.

Estes tipos eram uns “maus malandros” muito antes de chegarem com a sede toda ao pote. E, por isso, as palavras de Ana Gomes exigindo ao PS que procure, no seu Congresso, caminhos para uma nova forma de política são as únicas que fazem sentido nestes momentos.

Se para José Sócrates ser arguido foi uma condição adquirida depois de perder o poder, também Luís Filipe Vieira parece estar à procura da mesma estratégia. Um clube de uma dimensão impar em Portugal que nos últimos anos conseguiu vencer mais do que perder. E, foram essas vitórias, que garantiram ao Presidente do Glorioso o poder.

A dívida cresceu de forma monstruosa e a democracia interna desapareceu por completo, isto, para referir apenas duas dimensões do problema que Luís Filipe Vieira representa para o Benfica. Ninguém ficará surpreendido se, em desespero, despedir o treinador, vender o nome da Catedral ou inventar uma operação mediática de qualquer tipo. Luís Filipe Vieira é apenas mais um exemplo, porque nenhum dos outros clubes se poderá ficar a rir com os seus líderes.

Mas, todos eles, tal como nos amigos de Cavaco ou nos camaradas de Sócrates, são exemplares perfeitos das péssimas Elites do nosso país. E talvez Brecht tenha mostrado a solução – eleger um novo povo! Porque, este, está visto, não se governa, nem deixa governar.

Triste sina a nossa.

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João Paulo Silva

Professor de Matemática