Destaque Vila Verde

Vila Verde. Já há suspeitos de atingir bombeiro com ‘chumbeira’ durante incêndio

João Gonçalves foi atingido com chumbos na perna esquerda (c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

O bombeiro atingido ontem por um disparo durante o combate a um incêndio no concelho de Vila Verde vai ser hoje ouvido por inspetores da Polícia Judiciária (PJ) de Braga.

O Semanário V sabe que já está identificado mais que um suspeito de ser o possível autor do o disparo que terá saído de uma arma de pressão de ar e não de uma caçadeira como referido ontem pelos diferentes órgãos de comunicação.

João Gonçalves, de 27 anos, estava a fazer reconhecimento de terreno no lugar da Bemposta, na freguesia de Aboim da Nóbrega, um pouco afastado das frentes do incêndio quando terá sido alvejado na perna esquerda enquanto subia um local íngreme daquela mancha florestal.

O bombeiro ouviu o disparo e sentiu uma picada na perna tendo olhado para o fundo do morro apercebendo-se de um vulto que aparentava ser masculino e com parte da indumentária de cor branca a pôr-se em fuga. Nessa altura João Gonçalves solicitou assistência via rádio tendo sido transportado de imediato para o Hospital de Braga.

Fonte hospitalar disse ao Semanário V que o bombeiro terá sido atingido no osso da perna, mas aparentemente não causou qualquer tipo de fratura ao operacional.

João, já com experiência e operacional ativo nos últimos incêndios, em conjunto com os restantes colegas, fazia serviço não remunerado de combate às chamas, por ainda não estarmos em altura de DECIF.

Bombeiro terá sido atingido depois das 19h, quando ainda existiam frentes ativas no incêndio de Aboim (c) DC / Semanário V

Após o alerta, para o local do incêndio deslocaram-se mais de uma dezena de militares da GNR de Vila Verde assim como o Núcleo de Investigação Criminal e posteriormente uma equipa da Polícia Judiciária de Braga que tomou conta da investigação.

Ao que o Semanário V apurou junto de fonte policial depois de ouvidas algumas testemunhas no local, já existem suspeitos.

Em Aboim fala-se de cartuchos perdidos no chão

O Semanário V esteve ontem à noite em Aboim da Nóbrega e falou com alguns populares reunidos no café Ponto de Encontro, a dois quilómetros da zona onde deflagrou o incêndio.

A incredulidade era muita em relação ao tiro de caçadeira havendo algumas teorias de que seria “um cartucho de caçador que explodiu com as chamas”.

No entanto, e como apurou o V, não estaria a arder no local de onde saiu o projétil, nem terá sido um tiro de caçadeira mas sim um disparo de uma arma de pressão de ar.

Diogo Santos, secretário da Junta de Aboim da Nóbrega e Gondomar, também estava entre os populares depois de se inteirar da situação e, como referiu ao V, para a autarquia aboinobrense prestar disponibilidade para o que fosse necessário.

“É habitual sermos insultados em incêndios”

Ao que o Semanário V apurou junto de alguns operacionais que combateram as chamas, alguns populares estavam preocupados com eucaliptais que estavam na linha do incêndio, tendo mesmo chegado a haver insultos a alguns bombeiros.

Equipas de Vila Verde, Braga e Famalicão reunidas no quartel de Vila Verde depois de dominados os incêndios de Aboim e Sande (c) FAS / Semanário V

“É habitual sermos insultados em incêndios quando os populares estão perto, especialmente os proprietários”, referiu um dos colegas de equipa de João Gonçalves, reforçando a ideia de que “não acho nada estranho chegarem a este ponto”.

No quartel de Vila Verde, por volta da 1h30 deste sábado, os operacionais mostravam-se transtornados com a situação, mas ao mesmo tempo acusavam o cansaço de várias horas no combate a vários incêndios que decorreram durante toda a sexta-feira.

O incêndio de Aboim da Nóbrega começou pouco depois das 17h de sexta-feira, depois de uma queimada, que ardia desde as 14h, ter-se descontrolado com o vento, no lugar de Barge, passando para zona florestal.

Incêndio começou numa queimada em Aboim (c) DC / Semanário V

As condições climatéricas aceleraram as chamas enquanto um grande incêndio com duas frentes na freguesia vizinha de Sande mobilizava na altura vários meios de Vila Verde, Braga e Famalicão.

Com apoio dos Bombeiros de Amares, mais de uma dezena de operacionais de Vila Verde deslocaram-se para o incêndio de Aboim da Nóbrega chegando ainda a tempo de evitar males maiores de um incêndio que teve início, mais uma vez, devido a uma queimada de resíduos florestais.

Situação amplificou alerta sobre queimadas

Luís Morais, segundo comandante dos BVVV, salienta que “alguém tem de ser responsabilizado” pelas queimadas que dão em incêndio. “Temos assistido a vários incêndios nos últimos tempos e todos provocados por queimadas descontroladas. As pessoas têm de começar a ser responsabilizadas”, refere.

Luís Morais acompanhou bombeiro ferido no Hospital de Braga (c) DR

“Estávamos com um grande incêndio em Sande, também proveniente de duas queimadas descontroladas, que estava a ameaçar o maior pulmão de Vila Verde. São quase 400 hectares de mancha florestal que estavam em risco”, salientou ao V Luís Morais, estando esse incêndio já dominado com a ajuda dos Voluntários Famalicenses e dos Voluntários de Braga.

Como noticiou o Semanário V na edição em papel da passada quarta-feira, só durante o mês de abril foram combatidos 25 incêndios no concelho de Vila Verde provenientes de queimadas descontroladas, tendo ardido já cerca de 100 hectares. Tudo fora do período de incêndios e durante um mês em que nevou em Aboim da Nóbrega.

Comentários

Acerca do autor

Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista