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Artes. É de Vila Verde um dos maiores talentos do saxofone em Portugal

(c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Afonso João Vilaverde da Cunha Veloso Soares é um nome grande, proporcional ao talento que ostenta o jovem músico de 17 anos, nascido e “criado” em Vila Verde, e que é também um dos mais promissores talentos do saxofone em Portugal.

Prepara-se para uma atuação esta sexta-feira, na Casa de Artes e Cultura de Vila Verde, numa espécie de preparação para o grande recital que se avizinha onde será avaliado para aumentar o grau nos estudos de música. Afonso Soares mostra-se satisfeito por regressar às origens em atuação.

Membro da Big Band da Academia de Música de Vila Verde desde 2012, integra atualmente a orquestra do conservatório de música Calouste Gulbenkian de Braga, é membro da Orquestra Filarmónica Jovem de Braga e marca presença em concursos e congressos musicais no exterior, tendo vencido um concurso em Vigo e recebido uma menção honrosa em Paris. Isto tudo antes dos 18 anos.

Conciliou os estudos escolares até ao secundário, que está agora a terminar, em conjunto com os estudos musicais, primeiro na AMVV, onde entrou com 10 anos, e agora no conservatório da Calouste Gulbenkian, em Braga, onde está desde o sétimo ano.

Diz Idílio Nunes, principal responsável da AMVV, que Afonso foi um dos estreantes na classe do saxofone na AMVV. “Rapidamente fez alguns concertos. Este é um aluno que desde cedo demonstrou que tinha uma personalidade muito própria, sabia o que queria fazer”, refere o professor.

Afonso, como muitas outras crianças de Vila Verde, entrou no “mundo da música” depois de assistir a uma demonstração na escola, por parte da Academia de Música de Vila Verde, que lhe despertou o interesse.  “Entrei um pouco às cegas”, atira o jovem, explicando que a vontade inicial era a de aprender a tocar piano, guitarra ou percussão.

“Fiz as provas em vários instrumentos e acabei por ser aceite, mas os professores indicaram-me que o meu potencial era no saxofone e então assim comecei”. E nunca mais o largou. “Acabei por seguir este instrumento porque gostava e sentia-me bem, mas nunca pensei que tivesse assim tanto potencial para continuar a nível do secundário”, confessa.

No sétimo ano propuseram-lhe que concorresse ao conservatório da Gulbenkian de Braga e Afonso questionou-se “porque não?”. E aí as coisas começaram a ficar sérias. “A nível de competitividade a Gulbenkian é muito mais forte, há outra qualidade no que esperam de nós e abrem-se outras portas”, confessa o jovem músico, que partilha a atuação individual com o trabalho em orquestra. “Gosto de ambas. Não tenho preferência. Na orquestra toco outro saxofone, maior e mais grave e potente. Encontrei aí outra diversão e mais um motivo para continuar a estudar”, revela.

Mas nada como pedir novamente uma referência ao professor que o viu começar: “É um aluno que começou aqui [Vila Verde]. Afirmo isso [que é um dos mais promissores do país] sem problema nenhum porque conheço muito bem o Afonso”, diz Idílio Nunes.

“Foi um aluno de referência, temos muito orgulho que faça este pré-recital porque foi também um aluno que deixou uma marca cá na escola e só temos de dizer bem dele. Ele foi um aluno brilhante na escola, como continua a ser. É um exemplo que o articulado entre a escola e a academia de música resulta”, refere o maestro e professor sobre o aluno que este ano até teve cinco “vintes” no secundário. E o resto entre 18 e 19.

Com vários prémios conquistados, este talento de Vila Verde só lamenta a falta de apoio para que os músicos possam deslocar-se a congressos com ajudas estatais. Sobre a experiência no congresso mundial na Alemanha, Afonso explica que trouxe na bagagem “experiência e uma visão mais abrangente de todo o tipo”. “Foi enriquecedor. Gostei da seriedade que por lá se vivia, da rigidez dos horários. Só que as outras escolas vinham todas com ajuda de fundos, de apoios financeiros, coisa que nós não tivemos. Foi todo do nosso bolso”, lamenta.

Para o futuro, muita determinação e vontade em ser músico profissional, mas Afonso, dentro da humildade, mostrou-se satisfeito se em breve tocar “Saxophone concerto de Glazunov”. “É uma das primeiras peças para saxofone e é vista pelos saxofonistas como ‘A PEÇA’. Espero um dia tocá-la”.

Outro “cenário” que Afonso gostaria de elencar era o de uma mega-produção musical para algum artista de Rap norte-americano, de preferência Eminem, o seu favorito. “Não gosto de Jazz. Vou um pouco contra a corrente dos meus colegas. Gosto de Pop, Rock e sobretudo de Rap. Gosto muito de Eminem”, atira.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista