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Vila Verde. Deputado do PSD não limpou terreno e vizinhos desesperam

(c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Os vizinhos de um terreno rural na freguesia de Soutelo, situado entre a Rua de Belinho e a Rua da Azenha Nova, estão a desesperar porque os proprietários daquele terreno ainda não limparam o intenso “matagal” que assola a área que se estende por mais de um hectare.

Elementos da junta de Soutelo e vizinhos da propriedade apontam Rui Silva como um dos responsáveis pela limpeza do terreno. O deputado pelo PSD na Assembleia da República eleito por Vila Verde, ao Semanário V, diz que foi “intermediário” da venda de terrenos ao atual consórcio de donos mas que não possui nenhum e por isso não tem responsabilidade sobre a limpeza dos mesmos.

Segundo o deputado, a origem da confusão de ser apontado como um dos proprietários poderá estar aquando da anunciada construção de um parque entre os concelhos de Vila Verde e Amares naquele local. Rui Silva foi indicado pela autarquia para negociar os terrenos para a construção que não chegou a acontecer.

“Eu fui mandatado pela Câmara de Vila Verde para negociar aqueles terrenos para construir um parque empresarial que foi uma espécie de ideia embrião daquilo que veio a ser a incubadora IEMinho”, realmente construída, mas situada a cerca de 500 metros, noutros terrenos. “Não sou nem nunca fui proprietário de algum daqueles terrenos.Andei apenas a negociá-los”, vinca o deputado.

Matagal ameaça quinta vizinha

A apenas 20 metros de um dos extremos do dito terreno abandonado sita uma primeira habitação rural de uma idosa de 78 anos, com materiais em madeira e um abrigo para animais de quinta. Arménio Fernandes, filho da proprietária, mostrou-se preocupado com a situação e com o perigo que o terreno abandalhado ali ao lado representa. “Toda a gente com floresta limpou à volta da casa da minha mãe, mas ali a cerca de 20 metros da area dos animais e da casa, o terreno está por limpar”, aponta, mostrando-se “preocupado com o matagal”.

“Há bouças ao lado todas limpas desde março quando saiu a lei, tudo se pôs a caminho a limpar bouças e aquela ficou ali. Há ali um sobreiro morto caído há dois anos, enorme, que é gasolina que ali está”, aponta, reivindicando que “unicamente queremos que limpem aquilo para que se evitem tragédias como aconteceu noutros sítios”. Arménio conta que a mãe tem andado assustada com o número elevado de incêndios no concelho de Vila Verde e que “ainda há uns dias, queria que pegássemos no carro para a levar à GNR de Vila Verde para apresentar queixa, mas nós não deixámos porque queremos levar isto de outra forma”.

O Semanário V procurou informações junto da autarquia de Soutelo que avançou que o terreno em questão pertence a um consórcio onde está incluído o deputado eleito pelo PSD na Assembleia da República, Rui Silva, algo que o mesmo desmente.”O terreno está à venda através de uma imobiliária mas ainda pertence ao grupo de sócios que o adquiriu anteriormente e o Rui Silva é um deles”, disse fonte da autarquia soutelense.

A GNR tem em marcha a fiscalização da limpeza de terrenos a nível nacional, procedendo ao levantamento de autos de contraordenação para quem ainda não limpou. No entanto, o Governo deu tolerância aos proprietários para assegurarem a limpeza até ao dia 31 de maio.

*Notícia atualizada às 00h21 com declarações de Rui Silva

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Jornalista