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Braga. Grupo Casais começou com “pequeno negócio” e já tem presença em 16 países

Sede do Grupo Casais (c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

A Casais, sediada em Braga, passou em 60 anos de um pequeno negócio” para um grupo de construção presente em 16 países, graças ao “querer e força de vontade” e à capacidade de “antecipar e planear” as necessidades.

Em entrevista à Lusa, a propósito da celebração hoje assinalada das seis décadas do grupo, o presidente do Conselho Executivo da Casais Engenharia e Construção, António Rodrigues, apontou como um dos “principais problemas” da construção em Portugal a falta de “interligação entre planeamento e o alinhamento” de políticas no setor.

Neto mais velho do Mestre António Casais, fundador da empresa mãe, o agora responsável pelo grupo apontou como a “cola” que permitiu à Casais “viver e sobreviver”, continuar a seguir o mote que esteve na origem do trabalho do avô.

“Uma das frases do meu avô, o mais importante principio que nos foi passando, era o querer e a força de vontade para continuar a sustentar a família, a empresa e a comunidade de pessoas que trabalham connosco. Foi sempre esse princípio a nossa cola”, apontou.

“Há a componente profissional e empresarial de procura de novos negócios, mas o que alimenta [o crescimento do grupo] é esta força de vontade que dá origem a uma resiliência de procurar, expandir, procurar alternativas que surge da força mais básica de sobrevivência”, explanou.

Aliado àquele fio condutor do avô, António Rodrigues destacou a capacidade do grupo em “ir sabendo” antecipar os ciclos que se seguiam.

“Em 60 anos houve vários momentos difíceis. Lembro-me que depois da Expo 98, que permitiu um bum na construção, de ser tema aqui em casa que a ‘Expo’ ia acabar e ia ser um problema, que não ia haver trabalho para as empresas todas e isso foi um ‘click’ para expandir”, recordou.

Foi assim que a Casais foi para Angola em 1999: “Ainda de forma ténue e foi esse o ciclo, cada vez que se adivinhava algum encolhimento das oportunidades que poderiam limitar a nossa capacidade de atuar, tínhamos que pensar em alternativas. Há sinais que se conseguem adivinhar”, referiu.

No entanto, contou António Rodrigues, nem sempre o grupo enveredou por caminhos vencedores: “Em 2000 entendemos que devíamos diversificar a atividade, sair só da construção. Não estávamos era preparados para quando a crise bateu em 2007 e isso levou-nos a refletir e fazer algo até contraintuitivo que foi deixar a diversificação do negócio e voltar à construção”, disse, salientando que foi o que levou a Casais a diversificar nos mercados.

“Apostámos mais no mercado internacional e isso fez com que passássemos este período menos positivo em Portugal e na Europa, com crescimento em países onde havia oportunidade para isso”, disse.

Considerando que o “setor aprendeu com a crise”, o responsável pelo grupo bracarense lembrou que “a memória é curta e, por isso, com as glórias lá se vão as memórias” o que pode acarretar novos problemas.

“A interligação entre o planeamento e alinhamento faz falta. Ainda agora estão a sair obras na ferrovia (…), mas quando vemos planos de formação, não vejo ali nenhum alinhamento com aquilo que foram as estratégias anunciadas, não vejo nenhum plano de apoio à formação na área da ferrovia, por exemplo”, apontou.

A Casais opera atualmente em 16 países: Portugal, Alemanha, Angola, Bélgica, Gibraltar, Holanda, França, Marrocos, Moçambique, Brasil, Qatar, Argélia, Reino Unido, Emirados Árabes, Espanha e Estados Unidos, mas da história da nossa internacionalização constam outros países como a Rússia, o Cazaquistão, a China e Cabo Verde, resumiu.

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Jornalista