Vila Verde

Tribunal declara “perdida a favor do estado” a carta de condução que Fábio Coentrão ‘comprou’ em Prado

Fernando André Silva

Foi hoje conhecido o acórdão dos três juízes relativamente ao mega-processo das cartas de condução que envolveu vários examinadores, instrutores e alunos de escolas de condução da zona Norte do país, entre os quais o conhecido futebolista Fábio Coentrão.

Segundo o acórdão a que o Semanário V teve acesso, o coletivo de juízes determinou que a carta de conduçao emitida que Fábio Coentrão terá ‘comprado’ a uma escola de condução na Vila de Prado ficará “perdida a favor do estado”. Para além do documento do futebolista, também outras dez cartas foram declaradas apreendidas, segundo o acórdão.

Ouvido na qualidade de testemunha em 2017, por videoconferência, Coentrão admitiu que, sem ajudas, “não tinha passado” no exame, já que só saberia responder a metade das perguntas.

Segundo o acórdão, o futebolista explicou que devido a jogar em Espanha, teria dificuldade em tirar a carta de condução, algo que lhe foi facilitado em troca de uma ajuda no exame teórico, sob entrega da quantia de 4.000 euros.

Segundo os juízes, Fábio Coentrão entregou a referida quantia em duas parcelas de 2.000 €, uma antes e outra depois da prova teórica.

Fê-lo em numerário, por lhe ter sido recusado o pagamento em cheque. Por indicação expressa do arguido Joaquim Moreira de Oliveira que aderiu ao solicitado e aceitou diligenciar para que lhe fosse prestada a ajuda, a prova teórica foi agendada para o dia 19 de Julho de 2012, pelas 9h, numa altura em que o candidato se encontraria em Portugal.

Conduzido ao Centro de Exames de Vila Verde pelo arguido Paulo Alexandre Machado, Fábio Coentrão apenas entrou na sala de exames depois de obtida a confirmação de que nada obstava à execução do acordado, em virtude de ter sido o arguido José Miguel Martins de Sá dos Santos Mota o sorteado para as funções de fiscalizador, o qual, no contexto do plano entre eles existente, foi previamente inteirado do pedido pelo arguido Joaquim Oliveira e aderiu ao solicitado.

No decorrer da prova, quem lhe indicou, porém, as respostas que deveria assinalar, através de gestos com os dedos, foi o arguido Joaquim Moreira de Oliveira, que também se encontrava presente na sala de exames e que apenas a abandonou depois de o candidato ter terminado a prova. Nesse ínterim, o arguido José Miguel Mota manteve-se sentado na secretária, destinando-se a presença e ajuda do outro a dificultar eventuais reconhecimentos, no contexto do plano entre todos gizado.

Porque recebeu a indicação das respostas corretas desse examinador, Fábio Coentrão obteve aprovação na prova teórica do exame para obtenção da carta de condução, sem nenhuma resposta errada. A quantia paga pelo Fábio Coentrão foi dividida, de forma não apurada, entre os arguidos José Joaquim Ferreira, Paulo Machado, Joaquim Moreira de Oliveira e José Miguel Mota, cabendo aos dois últimos (enquanto examinadores intervenientes) uma parte não inferior a 1.000 eurosa. Fábio Coentrão chegou a ser arguido, mas entretanto o Ministério Público (MP) optou pela suspensão provisória do processo, a troco do pagamento de 3.000 euros ao Banco Alimentar Contra a Fome de Braga.

Com a leitura do acórdão, esta é a última medida judicial em relação a Fábio Coentrão no caso das cartas compradas.

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Jornalista