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Exclusivo. Trabalhador da Câmara de Vila Verde revolta-se e denuncia assédios e valas comuns no canil

SEPNA foi ao local apurar os factos e dar início à investigação - 06/09/2017

Um funcionário da Câmara de Vila Verde, afeto ao canil municipal, veio confirmar a notícia avançada pelo Semanário V em 2017, de que existem valas comuns onde cães são enterrados a céu aberto junto ao novo canil municipal em vez de serem redirecionados para a incineração na AGERE, como diz a lei. O funcionário foi alvo de uma suspensão por parte do município no passado dia 26 de abril tendo agora contestado a mesma com a apresentação de uma “defesa por escrito” onde revela essa e outras atividades menos claras por parte do executivo da autarquia em relação ao canil e aos funcionários municipais.

Numa missiva dirigida ao presidente da Câmara de Vila Verde, o trabalhador, contesta a nota de culpa proferida pelo município que apontava “infração disciplinar de interesse público” suspendendo a atividade do trabalhador.

Na nota de culpa está indicado que o trabalhador pegou num cão e atirou-o para dentro de uma box, contra a parede, causando sofrimento no animal, tendo também pegado no animal pelo pescoço, sacudindo-o e arremessado novamente com violência contra a parede. Para além disso, está ainda escrito que o trabalhador insultou duas voluntárias da ADAAVV que se encontravam no canil, em dezembro do ano passado.

Mas o trabalhador nega todas essas acusações e questiona a ação do município em ter declarado que todas as ações foram efetuadas sem nunca ter ouvido o próprio trabalhador em questão. Na resposta, a que o Semanário V teve acesso, o trabalhador garante nunca ter agredido o animal e diz não ser “verosível” o relatado porque o cão em questão pesa cerca de 20 quilos e seria impossível manusear o cão e abrir a porta da box ao mesmo tempo, como aponta a nota de culpa municipal.

“E, se, mesmo de uma forma absurda, fosse admitir tal ato sobre o animal estar-se-ia inevitavelmente perante lesões facilmente detetáveis e que careceriam de tratamento com possível imobilização, o que de resto é fácil comprovar que nunca aconteceu”, refere, lembrando que este é já “o segundo processo disciplinar instaurado em 2018 relacionado com a atividade no canil”.

Na resposta, os advogados do trabalhador apontam como “estranha” a “ligeireza com que são movidos procedimentos disciplinares” ao trabalhador, recordando o anterior, noticiado pelo Semanário V, em que se terá envolvido em acusações com outra funcionária, tendo o mesmo sido suspenso enquanto a outra parte não teve qualquer admoestação.

A carta fala ainda em casos “bem conhecidos do executivo” em que alguns trabalhadores terão furtado materiais de armazém para vender em sucatas ou utilizar em casa, sem que qualquer procedimento disciplinar fosse levantado. Menciona também uma situação de desacatos entre um encarregado e os funcionários municipais no Parque de Máquinas de Gême, que terá motivado queixa ao presidente da Câmara por parte dos mesmos, mas que nunca chegou a ser apurada qualquer ação por parte do executivo.

Caso de assédio a uma trabalhadora municipal
Mas a resposta vai ainda mais longe e fala mesmo num caso de assédio a uma trabalhadora municipal por parte de um funcionário com cargo diretivo, do conhecimento do presidente da Câmara, mas que nunca chegou a ser alvo de qualquer procedimento disciplinar ou investigação. A carta questiona se esta “ligeireza” disciplinar ao trabalhador, ao contrário de outros trabalhadores, será motivada por questões de ordem política, uma vez que um irmão do funcionário será afeto a outro partido que não o do executivo, apontando também a notícia publicada no Semanário V em setembro do ano passado onde foram reveladas valas comuns junto ao canil com cadáveres de cães.

 

existem no local valas comuns com muitas dezenas de cadáveres de animais alojados dentro de sacos plásticos que estarei pronto a identificar perante as autoridades

 

Cão morto dentro de um saco estava numa vala a céu aberto, Aparentemente terá sido atropelado. – 06/09/2017

A carta fala na “notícia divulgada” no Semanário V em “meados do ano passado que denunciava a morte de dezenas ou centenas de cães”. “Na verdade, só passou a haver queixas relativas ao modo como o signatário trata os animais e as voluntárias depois de essas notícias se terem tornado públicas”, refere. O trabalhador aponta que não foi dele que partiu a origem da denúncia que motivou a notícia mas confirma que “existem no local valas comuns com muitas dezenas de cadáveres de animais alojados dentro de sacos plásticos que estarei pronto a identificar perante as autoridades se tal se vier a proporcionar”.

A carta termina apontando ao município a vontade “clara” de “fazer do trabalhador um bode expiatório porque cometeram erros graves e temem que os mesmos sejam tornados verdadeiramente públicos e com evidências”.

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Paulo Moreira Mesquita

Paulo Moreira Mesquita

Diretor Semanário V