Vila Verde

Artes. Lisboa rendida às telhas de Santo António feitas na Vila de Prado

Fernando André Silva

A criadora artística Fátima Mendes, da Vila de Prado é a autora das lembranças que vão ser oferecidas pela Câmara de Lisboa aos noivos dos Casamentos de Santo António. As telhas em miniatura pintadas pela artista pradense vão ser mostradas via TV a centenas de milhares de portugueses de dentro e fora do país.

O convite surgiu por parte da Galeria Arte da Terra, parceira da autarquia alfacinha, que também irá organizar uma exposição da obra da pintora, desta vez com telhas de tamanho maior., em data ainda a anunciar.

Ao Semanário V, Fátima Mendes, pintora, conta que o convite surgiu depois de uma seleção por parte daquela galeria de alguns trabalhos relacionados com Santo António sendo que as da autora acabaram por ser propostas como presente aos casais”.

Uma peça de Fátima Mendes fica em exposição no Museu de Santo António, de forma permanente

A imagem escolhida, por ser, na opinião da autora, a “mais ternurenta”, é uma das menos conhecidas e mostra a relação do santo com o menino Jesus. “Achei que era a imagem que mais fazia sentido”, refere, revelando que esta telha foi pintada à base de materiais que garantem “uma qualidade final que não desbota nem descolora e não sofre qualquer alteração no efeito final” e que isso implicou “vários testes” que acabaram por incidir no Santo António perfeito.

Adepta do santo, Fátima revela que este trabalho foi uma oferta. “Não comercializo nem vou voltar a reproduzir esta peça. Foi criada apenas para este efeito”, diz, aludindo até que não gosta muito da “comercialização de santos, especialmente do Santo António”.

“Põe o santo em posições impossíveis e com roupagem que não faz qualquer sentido. E há ainda a tara de colocar o santo ao contrário ou virado para a parede quando algo corre mal nos noivados ou nos negócios”; aponta, acrescentando que “há pessoas que viram o santo de pernas para o ar porque o querem pôr de castigo”.

Mas a reação das noivas às criações de Fátima Mendes não deram qualquer punimento supersticioso. “Ai que lindo o meu António”, referiu uma das noivas, confirmando uma das principais regras para que um casal possa estar incluído naquele casamento. Ser devoto de Santo António.

Fátima Mendes reuniu com os Noivos de Santo António, em Almada

“Estamos a falar de Lisboa que é o palco do pais”

Há dias em que as 24 horas não chegam para o trabalho em paralelo desenvolvido pela pintora. “Fazer isto deu bastante trabalho e como tenho outros projetos torna-se complicado conseguir aguentar. Há dias em que tem de ser 24 sobre 24 horas a trabalhar, mas está a valer a pena”, aponta.

“Estou a gostar muito, é uma oportunidade de trabalhar fora da minha praia e estamos a falar de Lisboa que é o coração do país e em Alfama, que é o coração de Lisboa. Uma das minhas telhas foi entregue à secretária do primeiro-ministro que lhe irá entregar, ao Fernando Medina também. E o Museu Santo António, que fica ao lado da Igreja de Santo António, onde decorrem os casamentos, passa a partir de agora a contar com uma peça minha em exposição que ficará em permanência.

Embalagens são fotografia das laranjeiras de Prado

Orgulhosa com o palco da capital, Fátima Mendes, nascida em Moçambique, confessa que se “sente minhota” e da Vila de Prado. As próprias embalagens que levam a telha em miniatura são reproduções de flores de laranjeira fotografadas em Prado.

“A embalagem que leva o logótipo oficial dos Casamentos de Santo António tem como ilustração umas flores em Prado quando ia trabalhar. Reparei numa laranjeira florida e ainda não era altura de isso acontecer e ela estava carregada de flores. Associei isso aos casamentos e fotografei para criar a embalagem”, revela.

Trabalhou 19 anos em Vila Verde e depois oito anos como tripulante de ambulância do INEM e recebeu uma condecoração do antigo presidente da Câmara de Vila Verde por ter trazido trabalho para algumas famílias do norte do concelho, que consistia em cerâmica.

A par do curso de técnica de fisioterapia, Fátima Mendes é licenciada em Belas Artes, dividindo as duas vocações ao longo da vida, tendo recentemente oferecido uma telha da Senhora do Sameiro ao papa Francisco.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista