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Cervães. Luís Ferreira recebe bolsa por ter a melhor nota do curso na UMinho

Entrega de Prémio (c) Luís Gonçalves / Fotofelicidade
Fernando André Silva

Luís Gonçalves Ferreira, natural de Cervães, concelho de Vila Verde, foi na passada sexta-feira distinguido com uma bolsa de estudo no valor de 1037,20 euros, atribuída pela Universidade do Minho.

O cervanense, que já tinha sido notícia quando recebeu o prémio da Fundação Martins Sarmento, em março deste ano, está novamente em destaque devido à nota (19,1) mais alta da licenciatura de História, que terminou este ano.

Para além de Luís, sobrinho e afilhado do conhecido fotógrafo Luís Gonçalves, da Foto Felicidade, outros 202 estudantes receberam uma bolsa de igual valor.

Recorde abaixo a reportagem feita com Luís Ferreira publicada em exclusivo na versão impressa do Semanário V, em março deste ano

Natural de Cervães, fez todo o percurso escolar básico e secundário em Vila Verde, onde alguns professores de História deixaram marca, como o “professor Lima e a professora Ana Covas”.

“História é a minha paixão. Uma paixão muito grande, até. Confesso que quando entrei para a Universidade do Minho, andei enganado. Primeiro fui para direito e fiz três anos completos, mas ao final do terceiro não continuei”, revela, explicando que tirou “um ano para trabalhar”.

“Fiquei a ajudar os meus pais numa loja que eles têm e foi durante esse período que resolvi voltar a estudar. Fui novamente à Universidade do Minho, já em setembro, e disse que queria estudar História. Havia uma vaga à minha espera e então inscrevi-me. Pode-se dizer que foi um cruzamento perfeito entre a minha vontade de estudar e a vaga disponível”, conta Luís Ferreira, que, embora desanimado com o Direito, percebeu que “quando se faz o que se gosta, os resultados aparecem logo”.

Mas e a paixão que o levou a seguir este caminho? Luís explica: “Tem a ver com duas situações. A primeira era um trabalho que fazíamos com trajes de anjinhos para as procissões que me fez crescer num ambiente rodeado de histórias bíblicas. A minha mãe faz trajes históricos e é daí que vem o gosto”, conta. Já o segundo motivo foram mesmo os professores que encontrou na Escola Secundária de Vila Verde

“Tive excelentes professores de História em VIla Verde. Posso destacar a professora Ana Covas, e outro muito carismático no secundário que era o professor Lima. Um professor de categoria. Ele chegava à sala de aulas e se achasse que era melhor não dar aula, discutíamos Historia e Politica . Ele ensinou-me que História também é isso. É consciência critica e pensar no presente, não só passado”, conta o estudante agora premiado.

Sobre a aptidão para a disciplina, Luís revela ter “alguma capacidade para relacionar factos e para perceber períodos”. “Tive bons resultados, mas tive predilicao pela História Moderna, século 16, 17 e 18, mas sobretudo pelo século 16″conta, explanando que foi um século em que “a hegemonia da igreja católica se alterou, os principes afirmaram-se, o renascimento afirmou-se, e a igreja saiu reforçada, apesar de estar enfraquecida.

“É um periodo que lança as bases do que conhecemos hoje. A propriedade privada, as boas maneiras, o estado burocrata, tudo o que nos define tem essa raiz no século que foi de mudança”, explica.

Crítico para com aqueles que alegam que licenciatura de História não tem utilidade, Luís Ferreira apelida de “ignorantes” a quem não tem noção da importância da História de um país.

“Como essas pessoas têm noção do seu passado, sabem quem é a mãe e o pai, e se não sabem terão curiosidade de saber, também o país precisa de conhecer as suas origens. É isso que nos identifica. É a história que atribui sentido ao Estado. Identificamos todos como portugueses porque há uma coerência dada pela História, como as bandeiras, por exemplo. Quem alega que a licenciatura não tem utilidade está a passar uma clara informação de ignorância”, diz o cervanense, agora a residir em Braga, que em breve vai concorrer a um doutoramento para seguir depois a área de investigação.

“O que me vejo a fazer no futuro deve passar por escrever. A componente interventiva e política que a História tem é algo que me interessa. A visão perfeita que tenho de mim mesmo é a investigar e a escrever, e se tiver alguma relevância, melhor. Se tiver oportunidade de ensinar o que sei, tanto melhor, desde que o conhecimento que vou adquirindo seja suficiente para isso”, finaliza Luís Ferreira, alheio a críticas de quem desvaloriza a História e a Cultura numa sociedade moderna, equilibrada, e que não renega as suas origens.

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Fernando André Silva

Fernando André Silva

Jornalista