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Educação. Como é que as greves de professores afetam os exames?

Escola Secundária Sá de Miranda, em Braga c) Mariana Gomes
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

No distrito de Braga vão ser realizados cerca de 17 mil exames do secundário. A passada segunda-feira marcou o primeiro dia da greve convocada pela FENPROF e mais de 95% dos conselhos de turma não se realizaram. Estas reuniões são necessárias para divulgar as notas dos alunos e, caso não aconteça, ficam sem saber se estão admitidos a exame, ou não.

vão fazer os exames sem saber se passaram de ano ou se reprovaram

Os professores querem parar as reuniões de conselho de turma, o que, consequentemente, vai atrasar o lançamento das notas: Se não saem as notas, os alunos não sabem se estão admitidos a exame e “vão fazer os exames sem saber se passaram de ano ou se reprovaram”, explica um professor do agrupamento de exames de Braga, acrescentando que “nas reuniões de avaliação os alunos são admitidos a exame e outros alunos ficam reprovados. Os reprovados podem-se inscrever a exame para tentar fazer equivalência à frequência, os que foram admitidos vão fazer o exame para uma posterior candidatura ao ensino superior. O grande problema é que grande parte dos alunos não sabe se estão admitidos a exame ou se terão de fazer equivalência à frequência”.

Greve às avaliações pode afetar o acesso ao ensino superior

Em Braga não há nenhuma escola em que todas as turmas tenham realizado as reuniões de avaliação, “de uma forma ou de outra, nenhuma escola fez as reuniões todas, algumas turmas fizeram, outras não”.

Os conselhos de turma, reuniões que permitem fechar o ano letivo, não podem ser realizados sem a presença de todos os professores, sem exceção, porque, se houver necessidade de recorrer à votação, todos os professores têm de votar. “Em matéria de avaliação de alunos não pode haver abstenções”.

As notas da frequência deveriam ser lançadas cerca de uma semana antes do exame e esta greve afeta os alunos, tanto no final deste ano letivo, como no início do próximo, uma vez que, enquanto houver greves, esta situação pode-se prolongar por tempo indefinido. Os alunos ficam à espera das notas e podem atrasar a entrada na universidade. Para português e matemática e em todas aquelas em que há exame nacional, os alunos já sabem que têm de fazer esses exames. Nas restantes disciplinas do seu currículo, os alunos só os fazem se se inscreverem, caso necessitem para fazer equivalência à frequência, “mas eles não sabem se têm e se inscrever ou não”.

o professor não dá uma nota, o professor propõe uma nota e o conselho de turma aceita ou altera

Segundo os professores, o governo vai tentar impor serviços mínimos nos conselhos de turma marcados para julho, de forma a garantir que as reuniões de avaliação se realizem, apesar de se tratar de uma ilegalidade. Basta que um professor falte a uma reunião de um conselho de turma para que este tenha de ser adiado. Os docentes explicam que o que foi imposto pelo governo é que, na terceira reunião de avaliação, se os professores continuarem em greve, o diretor de turma recolhe as notas de todas as disciplinas. Notas essas que não poderão ser debatidas, se os docentes não estiverem presentes no conselho de turma, sendo que “o professor não dá uma nota, o professor propõe uma nota e o conselho de turma aceita ou altera, em função de critérios definidos e do perfil do aluno. Mesmo que o professor proponha uma nota, o conselho de turma pode decidir pela sua alteração”.

A questão central da greve é a contagem integral do tempo de serviço congelado. A greve às avaliações decorre até 13 de julho e os sindicatos descartam a hipótese de se chegar a um acordo com o governo.

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