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Casal dos Eidos é rei dos verdes da região minhota. O produtor é de Vila Verde

Fernando André Silva

Márcio Lopes é produtor de vinhos e foi recentemente distinguido com o prémio do melhor vinho da casta Loureiro (verde branco) na região minhota. Esse mesmo prémio valeu-lhe um convite e uma ida a uma feira em Bruxelas onde conquistou um novo mercado. Fomos saber um pouco mais do jovem empresário natural de Vila Verde com quinta “armada” em Barcelos.

Apresente-se

Chamo-me Márcio Lopes, 39 anos, sou natural de Gême, concelho de Vila Verde mas resido na Quinta dos Eidos, em Areias (S. Vicente), Barcelos. Era uma quinta da família que produz vinhos desde 1752, registados. É uma das quintas de vinhos verdes mais antigas da região com registo de vinhas plantadas. Estudei sempre em Vila Verde. Fui criado na agricultura. Não há melhor que fazer aquilo que gostámos, já trabalhei em comércio mas a minha paixão é a agricultura. Não tenho tempo para nada. Estou sempre a trabalhar, a comercialização é feita por nós.

Quinta dos Eidos em Barcelos

E quanto ao vinho?

O nosso vinho é marca Casal dos Eidos, vinho verde branco, proveniente da nossa quinta dos Eidos e da de Gême, com castas predominantes: Loureiro, Arinto, Fernão Pires e Alvarinho (branco) e os tintos Vinhão e o Espadeiro de Basto. A nossa distribuição é feita exclusivamente por nós, do Casal dos Eidos. De momento não queremos entregar a distribuição.

Porquê?

Sentimos que nós próprios é que fazemos uma divulgação do nosso próprio produto da forma como achamos que deve ser feito e os clientes gostam desse contacto pessoal com o próprio produtor, pois têm mais informação real e em primeira mão. Mesmo os clientes da casa, gostam de nos ouvir falar, ouvir os “porquês”, enquanto uma distribuidora não se importa com isso, só quer é vender. Então tentamos fazer diferente. Exigimos e damos qualidade e pomos os produtos no comércio e nos restaurantes. Nas grandes superfícies não, porque há demasiada burocracia e eles mandam no negócio Não se importam com a qualidade. Se trabalham com outros, que continuem a trabalhar, nós queremos continuar a ser diferentes. Um dia mais tarde, podemos ser obrigados, mas para isso estamos a implementar no estrangeiro para não sermos obrigados a trabalhar com hipermercados. Neste momento somos procurados em vários países…

Qual o truque para conquistar o mercado internacional?

Dentro da EU, exportamos para a Suécia, França, Bélgica e Espanha, não em muita quantidade, mas em números razoáveis. Esses clientes preferem um mercado direto porque ficam com um produto exclusivo. E até traz uma gama nova de clientes aos restaurantes, que ouviram falar que tinham bom vinho exclusivo, e as casas começam a ser frequentadas por apreciadores de vinho de qualidade, e eles sentem o negócio, tanto cá como no estrangeiro.

Apresentou os vinhos numa festa na Bélgica. Como surgiu a oportunidade?

Fomos convidados pelo eurodeputado do CDS Nuno Melo para representar a região do Minho em Bruxelas, na festa “O Melhor de Portugal em Bruxelas”, por intermédio do deputado municipal do CDS, Paulo Marques, depois de termos vencido um prémio em Arcos de Valdevez.

Que prémio foi esse?

Foi num evento organizado em Arcos de Valdevez, na EVAG, com a comissão dos vinhos e uma série de enólogos em que as provas foram feitas na CVRV do Porto. Fizemos os testes, com 18 enólogos e provadores reconhecidos a nível nacional em que foram 84 produtores e o nosso recebeu o primeiro prémio “Best Of” da casta Loureira, que foi a única casta a que concorremos. O nosso vinho já está introduzido em Vila Verde e as pessoas souberam do prémio. Daí o Nuno de Melo queria convidar alguém com um produto interessante e inovador de um jovem produtor agrícola e o nosso convite foi feito pelo Paulo Marques. para representar a região dos vinhos verdes do Minho, em que nos pediram para ir lá e levaram um dos nossos melhores produtos, o tal da casta Loureiro, Casal dos Eidos.

O que sentiu quando venceu o prémio?

Não estava à espera, Sabíamos que tínhamos um produto bom mas não esperávamos que fosse tão rápido, mas fazemos sempre isso. Desde a casta, plantação, todos os pormenores, conseguimos ter um bom resultado do ano de trabalho. Isto motiva para continuar a trabalhar. Temos o melhore feedback a nível nacional e internacional.Na Bélgica temos esgotado, tudo em comercialização feita boca-a-boca, o cliente é que nos vem procurar a nós, e isso é uma vantagem e sinto-me lisonjeado por isso.

Márcio Lopes recebeu primeiro prémio pelo vinho da casta Loureiro

Que diferenças encontra na produção durante as últimas décadas?

Antigamente, nas próprias quinta, os terrenos não eram direcionados ao vinho. Desde 2011 começamos a mudar esse conceito. Antigamente a vinha era em ramadas altas e agora está a 1 metro do chão. Nesta diferença só encontramos vantagens. São feitas analises aos solos para verificar qual casta se adequa a que solo. Antigamente ninguém ligava a isso. Hoje em dia temos de nos adequar aos solos. Uma medida de precisão profunda quando se pretende implementar boas vinhas.

E o mercado?

Hoje em dia vejo que consumimos melhor qualidade e vejo também que a juventude adere muito aos nossos vinhos verdes, porque não têm muita acidez, são digestivos e tornou-se uma preferência dos consumidores. Lá fora, não era muito conhecido, porque não havia qualidade. Os vinhos verdes exportados lá para fora são os vinhos que o importador vai buscar, geralmente os mais baratos para ter margem de lucro. Então os estrangeiros só conheciam o pior. Agora ficam admirados de ver produtos de qualidade vindos de Portugal. Antigamente não existia esta qualidade. Isso tem mudado. Os emigrantes sentem orgulho nos produtos que levamos por causa da qualidade. O feedback tem sido muito bom. Isso ajuda-nos por causa da comercialização ser boca-a-boca. Nós esgotámos o produto nessa feira. E saímos de lá com grandes encomendas. Vamos enviar brevemente entregar mais uns resultados da feira que fizemos.

O que esperam para o futuro?

Continuar a trabalhar e a apostar na qualidade. A ossa política agrícola comum deu um salto bom para nos ajudar. Este tipo de eventos, feito em Bruxelas, foi uma grande catapulta para chegarmos a esse mercado. Essas paletes que agora vão para lá são reflexo disso. Chegam e esgotam. Para acontecer isso é porque o vinho tem qualidade. Quanto ao futuro… Andamos com novas obras numa adega na quinta de Barcelos, vamos construir um showroom para exibir os vinhos e uma nova adega em Barcelos. Futuramente poderemos investir no turismo em Gême.

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Fernando André Silva

Jornalista