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Carolina Costa: “A dançar sinto-me livre e feliz”

Fernando André Silva

Carolina Costa, de 11 anos, já deixou de ser uma promessa do ballet para se tornar uma confirmação. A jovem atleta de Braga, que representou a academia de dança Ent’Artes nos últimos anos, foi selecionada para ingressar no reputado conservatório internacional de dança Anarella Sanchez, em Leiria, e está de malas aviadas para Barcelona, onde vai disputar a Dance World Cup.

Com vários títulos conquistados ao serviço da Ent’Artes, Carolina vê esta mudança para Leiria com “muita motivação e determinação”. “É um grande desafio que vou procurar superar”, aponta, depois de “quatro anos fantásticos” onde aprendeu “o que de melhor existe”. “Cresci como bailarina, mas mais importante, cresci como pessoa, tornei-me mais forte, resiliente, determinada e aprendi lições que vou recordar durante toda a minha vida”. Em Leira, espera continuar a crescer e a evoluir como bailarina. “Sei que vou ter as melhores condições e os melhores professores. Estou ansiosa por começar”, remata sobre o novo percurso de vida.

Mas a bailarina não esquece as raízes e diz mesmo que a escola Ent’Artes veio mudar “para melhor” o panorama da dança em Braga. “São já tantos prémios ganhos em concursos nacionais e internacionais que posso dizer que Braga está a crescer a largos passos nesta área. Carolina sente que não só Braga mas como todo o país tem grandes valores na dança. “Temos o António Casalinho, por exemplo, que tem ganho prémios em quase todos os concursos internacionais onde participar”, refere Carolina, que começou no ballet com apenas três anos. “Foi a minha avó que me colocou. A dança consegue juntar várias componentes artísticas – música, expressão dramática e excelência na técnica. A dançar sinto-me livre e feliz”.

Sobre o futuro, Carolina antevê dificuldades neste “mundo extremamente competitivo, onde existem milhares de meninas como eu com o mesmo sonho”. “Só atingindo a perfeição em todos os aspetos é que terei oportunidade de concretizar [o sonho de ser profissional]”, deixando ainda uma mensagem aos colegas da Ent’Artes e a todos que queiram entrar no mundo da dança. “Levo os meus colegas todos no meu coração, esteja onde estiver. São meus amigos para sempre. E a que desconhece este mundo, só posso dizer para experimentarem. Mesmo sem objetivo de serem profissionais. Vão adquirir competências muito importantes para a vida quotidiana”, finaliza.

O Semanário V falou com os pais da Carolina que apontam a escola Ent’Artes como “uma segunda família”. “Foram tantas horas passadas em ensaios, espetáculos e competições que não há outra palavra para descrever a escola”, diz o pai, Ricardo Costa, referindo que lá, “cresceu como bailarina, sim, mas mais do que isso… Cresceu como pessoa”. “Ficámos eternamente gratos às professoras Diana Sá Carneiro e Patrícia Rios por toda a dedicação e carinho, assim como ao Manu Gomis e à Mariana Carvalho”, apontam.

Sobre a nova etapa na vida de Carolina, os pais ficam orgulhos pela ida da jovem para Leiria, onde estará na “maior referência a nível nacional e uma das melhores a nível mundial. “O conservatório Annarella Sanchez recebe todos os anos dezenas de novos alunos de diversas nacionalidades que têm como único objetivo serem bailarinos profissionais”, revela Ricardo Costa, explicando que agora, Carolina, pode “estar e aprender com os melhores”. “Não temos dúvidas que foi a escolha certa para que possa continuar a busca do seu maior sonho – ser bailarina”. No entanto, os pais admitem que “não é nada fácil” ter de passar os dias entre Braga e Leiria, mas afirmam que não seria justo “privá-la desta oportunidade”.

Os pais acham ainda que devia haver mais apoios a esta modalidade, apontando as “crianças que representam e levam bem longo o nome de Portugal”. “Só para dar um exemplo durante este mês de junho (de 22 a 30) a Carolina e os seus colegas vão estar em Barcelona a competir entre mais de 6000 bailarinos de 48 nacionalidades nas finais do Dance World Cup. Infelizmente não existem praticamente apoios do governo ou outras entidades sendo quase a totalidade dos custos, que são muito elevados, suportados pelos pais”, aponta Ricardo Costa, realçando, no entanto, o apoio dado pelo Município de Braga no que toca às deslocações para o estrangeiro.

Orgulhosos, os pais dizem mesmo que o objetivo para com a filha passa por lhe dar “raízes e asas”. “É isso que tentamos dar à Carolina, mas só ela pode decidir para onde quer voar”, finalizam.

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Jornalista