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António Vilela fala em “custos elevadíssimos” para manter posto temporário no Vade

AM de 28 de junho 2018(c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

O Partido Socialista, através da deputada Deolinda Pimenta, questionou António Vilela se estará “disponível” para “criar as condições necessárias” para que a ARS Norte possa manter provisoriamente os utentes do centro de saúde da Portela do Vade naquela freguesia, enquanto decorrem as obras de requalificação.

No entanto, o edil diz que o município tem já investido um grande montante financeiro na área da saúde e não está disponível para concretizar investimentos para instalações que são apenas temporárias, confirmando a deslocação temporária dos utentes para o centro de saúde de Vila Verde, a mais de 10 quilómetros de distância.

O PS diz que o “desejo” e “reivindicação” dos utentes são legítimos, em “reclamar que os serviços médicos continuem a ser prestados na sua terra, num espaço alternativo”, com a deputada socialista a indicar que esta Câmara é “a dona da obra” de requalificação no Vade, o que acresce responsabilidade.

“A bancada do PS exorta e recomenda à Câmara que responda positivamente aos anseios legítimos da população do Vade, de modo a que possa receber na sua terra os cuidados de saúde primários”, referiu ainda a deputada, numa fugaz intervenção durante a Assembleia Municipal de Vila Verde, na noite desta quinta-feira.

António Vilela fala em “custos elevadíssimos” e “temporários”

Em resposta à deputada, o edil confirmou a deslocação temporária para Vila Verde, dizendo mesmo que para manter os utentes num espaço situado no Vade acarreta “custos elevadíssimos”, sendo a solução mais viável a apresentada.

Segundo Vilela, foram apresentadas à ARS Norte as soluções da Casa do Povo da Portela do Vade e o Pavilhão do Vade, mas a ARS Norte indicou que eram necessárias modificações para aqueles espaços acolherem os utentes, algo que terá dissuadido a autarquia dessa ideia.

António Vilela diz que houve a sugestão de ocupar uma unidade de saúde em Vila Verde que está vaga durante a semana, a mesma que recebe as urgências ao sábado, e que, face às circunstâncias, não houve alternativa. “Não íamos criar uma unidade provisória na Portela do Vade com custos elevadíssimos para depois destruir”, aponta, dizendo que “já basta o investimento que deveria ser da responsabilidade do estado”, numa alusão ao investimento da Câmara nas obras de requalificação que ainda não tiveram início.

Vilela diz que foram procuradas alternativas em conjunto com a Junta do Vade, liderada pelo independente próximo do PSD, Carlos Cação, e que está a ser procurada uma minimização dos efeitos em relação aos cuidados serem prestados em Vila Verde.

“Através do Espaço Cidadão os utentes vão poder marcar consultas, tratar de receitas que não obriguem à presença médica”, diz Vilela, garantindo transporte para os utentes que necessitem de ir a Vila Verde, em príncipio, diz o edil, em cinco viagens diárias.

O edil diz ainda que os serviços de cuidados ao domicilio “serão prestados como eram no passado”. “Julgo que houve um cuidado e uma atenção muito especial ao Vade que merece ter boas condições para ter acessos a cuidados de saúde em condições”, finaliza.

José Morais acha “ridículo” que se invista 80 mil euros em galas e depois não há para a saúde

O vereador José Morais, no final da Assembleia Municipal, lamentou que a Câmara desperdice 80 mil euros na produção de um evento como o Namorar Portugal e depois não tenha verbas para garantir o atendimento médico à população do Vade, cujo custo total nos 6 meses seria muito inferior a esse gasto numa noite.

“Parece-nos de todo incompreensível e politicamente injustificável que se continue a desperdiçar dinheiro em festas quando as necessidades básicas da população do Vade estão em questão. Não nos parece a atitude mais correta do presidente da Câmara, tendo em conta o assunto que é, até porque sabemos que a ARS está disponível para manter os serviços no Vade desde que a Câmara enquanto dona da obra garanta para isso condições”, disse o líder do PS de Vila Verde.

População entregou abaixo-assinado na Câmara com mais de 700 assinaturas

Mais de 700 utentes da Extensão de Saúde da Portela do Vade participaram num abaixo-assinado que foi entregue na Câmara de Vila Verde, exigindo que as instalações temporárias do espaço de saúde se mantenham nas freguesias do Vade.

Ao que apurou o Semanário V, os porta-vozes do abaixo-assinado terão recebido a resposta que mais temiam: “Não há alternativa e as assinaturas não adiantam de nada”.

Segundo Daniel Pereira, utente daquele centro de saúde, não haverá qualquer solução por parte da autarquia para este desenlace, o mais temido pelos utentes que se espalham pela UF do Vade, Aboim da Nóbrega e Gondomar e ainda do lugar de Cisão, em Barros.

Ao grupo de utentes, António Vilela terá dito que a melhor forma de levar os utentes para o Centro de Saúde de Vila Verde será mesmo com um autocarro, mas Daniel Pereira teme que não haja essa disponibilidade diária.

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Jornalista