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Escuteiros de Cabanelas ajudam a reconstruir aldeia abandonada

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Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

No passado fim de semana, os escuteiros do agrupamento 419, de Cabanelas, viajaram até Drave, em Arouca, para ajudar a reconstruir a aldeia desabitada já há alguns anos. É conhecida com a “aldeia mágica”, devido “às paisagens de cortar a respiração” e fica isolada, perdida entre duas serras e não é acessível de carro. Este local recebe, anualmente, milhares de escuteiros portugueses e estrangeiros, que ajudam na manutenção e na reabilitação da aldeia.

O local é conhecido por ser um centro escutista dos caminheiros e, com o objetivo de ajudar a reconstruir esta zona desabitada, os escuteiros prestaram serviço, “limpando uma mata abandonada, à volta de um albergue”. Ricardo Cónego, caminheiro do agrupamento de Cabanelas, conta que descobriram “lugares lindíssimos e locais com uma beleza natural extraordinária” e acrescenta que “toda a população deveria ter a oportunidade de visitar estes locais”.

Numa sociedade na qual os telemóveis são um bem imprescindível, os escuteiros de Cabanelas fizeram mais de 150 quilómetros, num dos fins de semana mais quentes do ano, até uma aldeia onde a rede de telemóvel é escassa, não há água canalizada, gás, saneamento, telefone ou correio e não tem eletricidade. O dinheiro é inútil, uma vez que não há lojas.

Escuteiros de Cabanelas limpam terrenos em Drave

A aldeia de Drave não tem, atualmente, nenhum habitante permanente e, para lá chegar, tiveram de percorrer quatro quilómetros a pé por trilhos irregulares, desde Regoufe, a aldeia mais próxima. Segundo a chefe de agrupamento, Odete Gonçalves, ao viajar até Drave, os caminheiros têm dois grandes objetivos: “fazer serviço comunitário, ao reabilitar o local, e a espiritualidade, uma vez que os bens materiais são dispensáveis”. A ideia é dar vida à aldeia de novo.

Ocasionalmente os caminheiros do agrupamento de Cabanelas contribuem na reconstrução da aldeia, seja limpando matas, como o fizeram neste último fim de semana, reconstruindo casas e espaços ao seu redor, ou limpando percursos. A única opção em Drave para passar a noite é acampar e, para comer, os escuteiros fizeram fogueiras.

Já todos os agrupamentos do concelho de Vila Verde passaram por Drave

Os caminheiros de Cabanelas não foram os únicos a ajudar na manutenção da aldeia desabitada, todos os agrupamentos do concelho já viajaram até Arouca para reconstruir a aldeia. É atualmente a base nacional da IV secção, ou seja, dos caminheiros e ninguém esquece esta aldeia, por essa razão, todos os fins de semana há atividades designadas para os escuteiros, organizadas pelo staff responsável deste centro escutista. O agrupamento de Vila Verde está a organizar a próxima viagem para o mês de agosto, com a mesma missão de salvar a aldeia.

Aldeia de Drave

É difícil imaginar como é que alguém conseguia viver numa aldeia onde não existe eletricidade, água canalizada ou gás, mas última família a habitar a aldeia, até ao ínicio deste século, foi a família Martins que, hoje em dia, apenas visita o local uma vez por ano. Algumas casas da aldeia perdida pertencem agora aos escuteiros, que têm a responsabilidade reabilitar o local, faça frio ou faça sol, para que a sua “essência” não se perca e as memórias se mantenham. Ninguém é remunerado pelo seu trabalho, seja consertar telhados, recuperar casas, ou reconstruir muros, e mesmo assim “todos os caminheiros sonham ir a Drave”.

Segundo a chefe do agrupamento de Vila Verde, Andreia Cerqueira, “ir a Drave é a melhor coisa que existe para os caminheiros. É quase obrigatório todos irem a esta aldeia, quem não for, não está a praticar escutismo, não tem a essência do escutismo”.

Em julho, os caminheiros vão à Holanda e “o after party é em Drave, há uma série de atividades só para caminheiros”, explica Andreia Cerqueira.

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