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Braga. Trabalhadores da Bosch em greve

Redação
Escrito por Redação

O grupo de trabalhadores que compõe o chamado “terceiro turno” da Bosch de Braga têm nova intenção de paragem marcada para a noite desta sexta-feira, que será a segunda de um conjunto de greves planeadas contra a intenção da empresa em acabar com a laboração daquele turno.

No entanto, a empresa emitiu hoje um comunicado onde aponta uma “paragem de produção” devido à falta de capacidade de produção de componentes eletrónicos a nível mundial, para a mesma noite em que estava marcada esta greve.

Segundo a empresa, não vai haver trabalho de produção durante o horário previsto para os trabalhadores do chamado “terceiro turno”, os mesmos que tinham a greve apontada e que, segundo um dirigente sindical, “mantém-se”.

“A greve mantém-se. Os trabalhadores sabem o que está em jogo como sabem que devem permanecer firmes na sua justa luta”, diz Sérgio Sales, representante do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (SITE-NORTE).

Sales, que, a título de curiosidade, é também o deputado eleito pela CDU na Assembleia Municipal de Vila Verde, afirma que a empresa “desconvocou os trabalhadores das principais linhas de produção desse turno [terceiro] no dia da greve” e que “estranhamente, ou não, desconhecem-se paragens de outros fabricantes do setor”.

Segundo Sales, uma delegação dos trabalhadores marcará presença na concentração nacional convocada pela CGTP-IN, amanhã em frente à Assembleia da República, contra o acordo laboral, para “dar expressão aos seus problemas”.

Sobre os motivos da greve

“A empresa está a empurrar de forma chantageada um turno fixo para turnos que laboram ao fim de semana. Estes turnos ferem gravemente a vida familiar dos trabalhadores, […] só permitem ter um fim de semana por ano livre, não lhes permite ter sequer dois dias de descanso seguidos, rodam de dia para de noite e perdem rendimentos”, enumerou o sindicalista.

Sérgio Sales salientou que, “além dos constrangimentos familiares, a instabilidade daqueles turnos cria complicações do ponto de vista da saúde física e mental”.

O SITE-NORTE apontou que “tem tentando negociar com a administração, mas que os responsáveis respondem só por escrito e nem se dignam a sentar à mesa com o sindicato”.

Sales explicou que a “chantagem” para aderir aqueles turnos rotativos “dura há já alguns anos”.

“A empresa tem condições de encontrar outras soluções que não passam por aí, tinha até mesmo o compromisso de pôr a laborar [os turnos rotativos] só para colmatar algumas necessidades de produção e isto já há alguns anos e agora está, por via da chantagem, criando um clima de medo para que os trabalhadores se voluntariem a aderir a eles”, referiu.

O grupo, cerca de três dezenas, quer assim “mostrar que uma empresa que é apontada como garantia que qualidade no que toca a contratações tem, no entanto, 30% dos seus trabalhadores em situação precária e a ganhar o salário mínimo nacional”.

“Nem tudo são rosas lá dentro”, alertou Sales em abril deste ano.

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