Elda Fernandes Opinião

Opinião de Elda Fernandes: “Travar o plástico”

Elda Fernandes
Escrito por Elda Fernandes

Temos que parar de usar objetos de uso único em plástico, não é uma ideia de ambientalistas, é uma urgência. Não usamos apenas muito, aumentamos o uso ano, após ano. Como é possível em plena era da informação, que nos atinge a cada segundo continuarmos a não querer saber. Onde está a materialização dos projetos de lei dos partidos, e a vontade para trabalhar o tema de forma eficiente? Em Braga, o uso abusivo de plástico é incentivado pelo próprio edil, mas não deverão ser os detentores de cargos políticos exemplos? Ou a falta de conhecimento é transversal e domina o poder local, o que será visível numa fase onde o contexto descentralização é cada vez mais uma realidade?

Desde 1950, aproximadamente foram produzidos mil milhões de toneladas de plástico, a maioria referentes a produtos descartáveis, usados uma única vez, terminando a sua curta vida no lixo. Este lixo posteriormente colocado em aterros ou queimado ultrapassou todas as quantidades que o sistema podia suportar, o resultado segundo estudos da comunidade científica é terminarem nos oceanos, por sua vez afetam a vida de animais sencientes. A previsão mais assustadora é em 2050 os oceanos abarcarem mais plástico que peixe. O que estamos a fazer para travar este desfecho?

Um dos problemas é ser à escala mundial, afeta cada um de nós como individuais, mas conseguimos estabelecer uma certa distância, sabemos os contornos reais do problema, mas o egoísmo, o eterno caminhante da ignorância apela que não é o indivíduo, como unidade que vai mudar o mundo, então aceitamos a palhinha, o copo de plástico nas festas da cidade, a garrafa de água e por aí fora. Até criticamos quem faz “fita” num café ao negar a palhinha, ao não aceitar água em garrafa de plástico e no final recolhe tudo o que é reciclável da mesa e leva para casa, onde sabe que será separado. No entanto, quantos somos assim? Chega o ativismo de coletivos, o individual ou é preciso leis?

Em vários países e cidades pelo mundo, porque o poder local pode e deve agir, começam a surgir leis para proibir o uso de loiça descartável em superfícies comerciais, haverá em Braga vontade política, com um executivo onde reina total inércia sobre questões ambientais?

Como ativista, em várias frentes, acredito que deve-se agir pelo todo e não pela parte, como membro do movimento Braga para Todos já fizemos várias propostas ao atual edil, a mais óbvia seria uma cidade com várias festas seguir exemplos do vizinho Porto ( Queima das Fitas) e Lisboa ( Santo António) e implementar copos de plástico reutilizáveis e até personalizados com o evento, nós usamos no S.João Vegan, e não houve pessoas a estranhar, pelo contrário “entranharam” e felicitaram, a nossa amostra não chega de exemplo? Ou o facto de sermos assumidamente oposição leva o autoritarismo a levar a melhor? Outra situação é o uso e abuso dos balões em eventos apadrinhados pelo atual executivo, as palhinhas a par da distribuição massiva de garrafas de água em eventos desportivos, não será altura deste executivo fazer política ambiental? Criar um regulamento de acordo com as exigências atuais em prol de uma cidade ecológica? Não se pode em democracia (pode-se e deve-se para os bons entendedores da ação política) unir ideias, ouvir a oposição e agir com a criação de leis locais e até exemplos para o país?

O pior em política é ter todas as condições para sermos uma cidade diferenciadora, mas egos aliados a falta de visão cancelam o nosso potencial, resta-nos trabalhar na sensibilização, porque mais tarde ou mais cedo vamos legislar a banalização do uso de plástico, mas fica a questão, porque demoramos tanto?

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Assessora da imprensa