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Angus Hodbell. Multicampeão norte-americano de tiro treina em Cabanelas

Angus Hodbell (c) Mariana Gomes / Semanário V
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Angus Hodbell começou a “brincar” com armas há cerca de 32 anos e é multicampeão britânico e europeu. No passado fim de semana de 14 e 15 de julho viajou até Portugal, mais concretamente até à freguesia de Cabanelas, no concelho de Vila Verde, para a prova de tiro da categoria Level III (Bracara Augusta), a cargo da Sociedade de Tiro de Braga, e louvou as qualidades do complexo e da organização da prova.

Vive nos Estados Unidos, é treinador de tiro profissional, engenheiro e atirador desde 1986. É o coproprietário da CZ Costum, onde constrói armas e desenvolve acessórios para a indústria das armas de fogo e trabalha principalmente com a CZ USA. É a segunda vez que visita Portugal. Há cinco anos esteve em Barcelos, no campo de tiro  de Fervença, para o campeonato da europa.

Por volta do meio-dia de domingo, na prova realizada no Complexo de Tiro de Cabanelas, Angus estava posicionado no segundo lugar da prova. “Tenho de começar a acertar nos alvos, assim não se ganha”, brincou. É um dos melhores atiradores dos Estados Unidos e integra o top 5 a nível mundial.

“Acidentes? Nunca sofri, é um desporto muito seguro, ao contrário do que se pensa, por utilizarmos armas de fogo”. Para Angus “a segurança neste desporto é a chave, se cometemos um erro, vamos para casa”. No recinto das provas “ninguém toca numa arma até estar numa posição para disparar. Temos uma zona chamada a ‘área de segurança’ e ninguém pega numa arma fora daquela área. Quando chegamos, vamos àquela área, vestimos o equipamento, pegamos na arma e não lhe tocamos até estarmos prontos para disparar”.

Sobre a modalidade fala com paixão. Às voltas pelos diferentes espaços de provas e ainda focado na questão da segurança, revela que é usado algo chamado “180 graus”, que obriga o atirador a disparar num angulo máximo de 180 graus em relação ao alvo, “caso contrário, se ultrapassar, fica desqualificado. Os ângulos são para segurança”.

Angus Hodbell (c) Mariana Gomes / Semanário V

Num campo com inúmeros obstáculos e vários alvos, Angus refere que é complicado, apesar de ser permitido começar em qualquer local do campo, à escolha do atirador. “Temos de disparar todos os alvos. Nós chegamos e pensamos ‘o que é que faço?’. Os brancos não são para disparar, são ‘alvos penalty’. Os amarelos têm de cair. Os campos são diferentes, alguns têm alvos que se movem, placas, alvos estáticos. É um jogo, é um bom jogo e alguns de nós já o jogam há muito, muito tempo”. O objetivo é disparar com precisão, no menor tempo possível. “Ao mesmo tempo, enquanto mudo de posição, tenho de recarregar a arma. Tudo acontece entre 25 a 30 segundos. Temos de disparar contra todos os alvos, ter em atenção os ângulos e recarregar a arma no local certo”.

Apesar de se tratar de uma modalidade na qual o objeto principal é uma arma, os acidentes são raros. “A maioria dos atiradores são muito bem treinados, alguns países tem até aulas de treino”, como é o caso de Portugal. “É necessário ter aulas de tiro para ter uma licença para entrar em competições”, explica o atirador, revelando que “quando acabam uma prova, guardam a arma e trancam-na obrigatoriamente antes de sair do campo”. Em alguns países é obrigatório que a arma fique na mala, em Portugal não, mas tem obrigatoriamente de estar trancada, de forma que uma pessoa não possa imediatamente usá-la.

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