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Rogério Braga. O craque da canoagem que é rei do Rock’n’roll em Prado

Rogério Braga ao vivo no Cávado Summer Fest (c) Mariana Gomes / Semanário V
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Natural de Prado, Rogério Braga, 20 anos, estuda arquitetura, é músico, atleta de canoagem, frequenta aulas de canto e ainda arranja tempo para dar aulas de guitarra em Padim da Graça. É, neste momento, o sexto melhor atleta sub-23 do país, na canoagem e faltam-lhe três anos para concluir o curso de arquitetura na Universidade do Minho. Conseguir conciliar a música com os estudos não é tarefa fácil, mas admite que até hoje conseguiu  conciliar as duas coisas. “Às vezes tenho de abdicar de algumas coisas. E não é só a música, também sou atleta de canoagem, infelizmente agora estou lesionado, não posso remar até ser operado. Houve dias que fiz três treinos por dia, mais as aulas e mais a música. E ainda sou professor de guitarra e toco num coro, num grupo ‘Dar Mais’”.

Amante da música e sem vergonha, com apenas oito anos começou as aulas de guitarra e deu o seu primeiro espetáculo ao vivo na Junta de Freguesia de Prado. Confessa que, “com oito anos, não tinha vergonha de cantar para uma multidão. Lembro-me de tocar em frente às pessoas todas, com a maior naturalidade do mundo. Naquela altura era assim, para mim era uma festa, agora fico nervoso”, conta, relembrando que recebeu a primeira guitarra, elétrica, como uma prenda dos pais e da madrinha e, desde então, tocou sempre com o mesmo professor, Luís Pinho. A música nunca foi um sonho dele, “foi crescendo conforme crescia também a tocar. E o sonho foi-se formando, desde um concerto que fiz há cerca de 7 ou 8 anos. Já faço concertos ao vivo há 8 anos. Por isso foi aí que começaram a aparecer as ambições”.

A arquitetura é o seu objetivo e o que tem como certo na sua vida. “Desde pequenino o meu sonho é arquitetura. Antes de entrar para a primária o meu sonho era desenhar casas. Não sabia ainda como se chamava a profissão, mas era isso que queria. Agora entrei, era uma das minhas ambições”, diz, afirmando que o seu desejo é exercer arquitetura no futuro, “e a música é como der. Não sou aquela pessoa que pensa na música como ganha pão. Eu não toco para ganhar dinheiro, eu toco porque gosto e gosto de mostrar aquilo que faço. Gosto de compor, gosto de tocar. Arquitetura é aquilo que tenho mais certo, a música é mais incerta”, assegura, recordando que um amigo lhe disse “que na música só se entra se houver cunhas, ou se és muito bom”.

Foi em 2010 o ano em que mais evoluiu em termos de guitarra. Foi nesse mesmo ano que entrou para a canoagem, “de manhã ia treinar para o rio e à tarde passava o tempo todo a tocar guitarra, até ao jantar ou até chegarem os meus pais. Fora de casa, dentro de casa, fosse onde fosse”, disse. Ainda em criança, Rogério começou a escrever as próprias letras e a encher as músicas com detalhes pessoais. Admite que não se lembra qual foi  primeira música que escreveu, “mas lembro-me de fazer músicas para os torneios de poesia da escola.

Ganhei muitos prémios por causa disso, gostava muito de escrever. Foi na escola básica que comecei mesmo a escrever e a compor”, disse ele, explicando como procurou adicionar um nível maior de complexidade às suas músicas. “Sempre quis andar um pouco à frente daquilo que se faz”. O processo de escrita baseia-se totalmente nas suas experiências pessoais e conta que nunca conseguiu, apesar de várias tentativas, escrever uma música acerca de algo que ele não tenha vivido. Revela que não consegue escolher a música preferida para tocar ao vivo, mas o facto de conseguir “sentir verdadeiramente” as músicas escritas por ele, relembram-no do que sentiu no momento que as escreveu e tornam o concerto num espetáculo mais pessoal. Além de concertos, faz batizados e admite que, sendo um momento mais intimista, sente-se em casa. “Quando as pessoas interagem comigo, é o melhor sentimento do mundo, sentir-me em casa, rodeado de pessoas estranhas”.

Rogério Braga ao vivo no Cávado Summer Fest (c) Mariana Gomes / Semanário V

Nos espetáculos ao vivo toca covers dos maiores músicos do mundo, sejam portugueses ou estrangeiros, e dá a conhecer ao público temas compostos por ele. Já gravou dois temas, mas nunca os lançou, “ficaram para mim”, confessa. Este ano voltou a gravar de novo e, ao todo, são sete temas originais, que pretende lançar em breve, “para, aos bocadinhos, conseguir fazer um CD”. Seis deles escritos e musicados por Rogério e um escrito por uma amiga e musicado por ele. Amante de música portuguesa, elege o Rui Veloso e o Miguel Araújo como os melhores músicos portugueses, “em termos de cantores, guitarristas e compositores”, mas o seu grande sonho é ter uma miniorquestra, uma banda semelhante à do Michael Bublé. Lá fora, identifica-se com Ed Sheeran, em termos de estilo musical e afirma que “é um dos melhores neste momento, com uma mentalidade fantástica”, contudo, o cantor que mais admira, “não pela música, mas pelo espetáculo ” que oferece ao público, é Bruno Mars, “um dos músicos mais completos do mundo, porque toca bateria, guitarra, piano, canta muito bem e tem um espetáculo invejável”.

A sua memória mais antiga na música foi a primeira audição, com apenas oito anos, na Junta de Freguesia de Prado, que marcou a primeira vez que tocou em público. “Lembro-me da imagem, estava muita gente” recorda, revelando que há mais três concertos que o marcaram durante o seu percurso. “A festa das colheitas, a primeira vez que toquei num palco tão grande e sozinho. A abertura aos Azeitonas, também em Vila Verde. No ano seguinte fiz o fecho dos D.A.M.A. Mas o concerto que mais gostei de fazer, foi com a Big Band. Estavam 60 miúdos num coro, tinha sopros, flautas, saxofones, tinha violino, viola e violoncelo, um guitarrista, um baixista e eu. Era muita gente, estava tão nervoso, tremia por todo o lado”.

Cresceu no concelho de Vila Verde, em Prado, mas admite que o público mais difícil de agradar foi o da sua terra, “se calhar por pensar que devia ser mais bem recebido, por ser da terra. Quando comecei não sentia que era acarinhado, sabia que havia muita gente que gostava de me ouvir, mas, também, uma coisa é certa, ninguém sabia quem eu era. Fui crescendo devagar, um passo de cada vez”. Hoje, o medo de estar a crescer rápido demais vai aumentando. Começou a tocar na Junta de Freguesia, bares, locais intimistas, batizados. Agora, o objetivo é formar uma banda. “A ideia começou por ser eu, como guitarrista e voz, um contrabaixista e um guitarrista”, mas surgiu, entretanto, o projeto Rogério Braga, que conta agora com sete músicos e “é aqui que tenho medo de estar a andar rápido demais, porque passar de tocar sozinho, a dois, e passado nem sequer um ano já estarmos sete é assustador”.

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Jornalista