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Festivais. Groove Braga foi um hino à urbanidade

Fernando André Silva

“O festival que nunca tem lixo no recinto”. “O festival para gente deitada”. “O festival que faltava numa urbe como Braga”. São várias as frases proferidas por quem foi ao Festival Groove Braga, no passado fim de semana, que podem enquadrar o leitor no recinto do Forum Braga, onde decorreram os dois dias de espetáculos que atraíram milhares de pessoas.

Até ao final desta edição, a organização ainda não tinha disponibilizado os números oficiais, mas relatos no local apontam para perto de 15 mil bilhetes vendidos, sobretudo para ver Thievery Corporation, na sexta, e Yann Tiersen, no sábado.

Thievery Corporation

No primeiro dia de festival, os amantes da música alternativa puderam satisfazer a estreia dos Thievery em Braga. Banda de culto, apresentou-se já com idade extra em cima das pernas mas com a mesma ‘pedalada’ funky soul de há décadas. E os fãs, com média de idades acima dos 30 anos, não deixaram de dançar ao som de hits como “Rich man in Babylon” ou “Warning”.

Já no sábado, foi a vez de um público também acima dos 30 anos, mas mais “sossegado”. Yann Tiersen, conhecido multi-instrumentalista bretão, trouxe todas as harmonias de piano do novo disco “EUSA”, com que encantou os presentes numa viagem pelas diferentes cidades da Bretanha, província no norte de França, de onde o compositor é natural.

Yann Tiersen

Durante o concerto de Yann Tiersen, assistiu-se, talvez, ao que seria esperado no início do festival, mas que não estava a acontecer. O público, sobo efeito encantador da melodia do piano e da magia do toque do bretão, foi-se deitando na relva sintética improvisada, mirando as estrelas e a lua cheia que davam uma outra involvência a este festival, que pretendia ser de conceito “chic” e “urbano”. E assim foi, pelo menos até o artista pegar no violino para ‘debitar’ algumas das melodias mais conhecidas do filme ‘Fabuloso Destino de Amelie” e que forçou o público a assistir de pé, terminando com aplausos entusiastas de um público sedento por música de qualidade, também ao ar livre.

O contacto com um ambiente natural, conjugado com uma atmosfera urban chic, para posicionar a cidade como destino de referência para o turismo de negócios e para a realização de grandes eventos culturais. A urbanidade esteve, aliás, presente em diversas ações levadas a cabo no festival. A primeira deve-se mesmo à limpeza do recinto, uma antítese dos habituais festivais de música que deixam um rastro de lixo por todo o lado. No recinto, o próprio público esforçava-se para não deixar resíduos, nem mesmo beatas de cigarros, improvisando cinzeiros com garrafas que eram posteriormente recolhidas por funcionárias de limpeza que estiveram sempre ativas durante os concertos. De cinco em cinco minutos, lá passavam duas funcionárias de limpeza para garantir que não sobra nada no chão, para que o público também pudesse usufruir da relva.

Espaço de chill

Outro novo conceito passou pelos locais de restauração disponíveis, com oferta diversificada e muito distante das habituais roulotes de, por exemplo, Paredes de Coura. No Groove Braga, o público podia escolher entre crepes de diferentes sabores ou optar por variadas refeições práticas, rápidas e saudáveis, sem colocar em causa a qualidade e diversidade gastronómica. Para além disso, o público tirava senhas, à boa maneira das repartições públicas, aguardando vez sem ter que formar filas que habitualmente entopem os espaços de restauração em festivais.

A InvestBraga, organizadora do evento, avançou que pretendia um conceito diferenciador e propostas inovadoras, num verdadeiro festival urbano. E isso foi conseguido em larga escala com, por exemplo, o espaço “Chill and Groove” com área de descanso, para conversa entre amigos, num sunset de tranquilidade, com vinhos e sumos naturais à disposição. descanso, de conversa entre amigos, de tranquilidade.

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Jornalista