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“Nunca vou faltar… Até para o ano Laurus Nobilis”

(c) FAS / Semanário V
Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

Já encerrou a 4.ª edição do Laurus Nobilis Music, no Louro. Os dias 26, 27 e 28 de julho prometiam edificar este festival de verão e assim foi: “este foi o início do que vem aí”, disse com certeza nas redes sociais André Matos, da organização e dos Heavenwood, a quem “roubei” o título desta reportagem. Estive pela segunda vez no LNMF: apaixonei-me pelo projeto da Associação Ecos Culturais e pelos esforços dos mais de 100 voluntários envolvidos neste evento. Acredito que como os 10.000 festivaleiros que por lá passaram, “4.000 por dia, 2.000 na receção ao campista no primeiro dia”. Confesso, a dois dias de distância, ainda estou emocionada com o que vivi, desde a chegada por cortesia no jipe do sr. Manuel Faria até à madrugada em que saí.

À entrada do café, antes da ida para o recinto, já toda a gente contava comigo. Na freguesia do Louro toda a gente foi Laurus e para o Laurus. Fui recebida com uma simpatia do outro mundo, levantei as credenciais e estava pronta para pisar a arena do rock onde tinham estado os gregos Septicflesh, com uma setlist demolidora do death metal sinfónico do seu mais recente Codex Omega, com um “Dante´s Inferno” que dedicaram, pedindo a união de todos, às vítimas dos incêndios. Os Mata Ratos, estreantes em Famalicão, haviam “vincado bem a sua forte e enérgica presença levando cerca de 3000 pessoas a um delírio quase incontrolável” no palco Porminho. Este ano o Laurus contou ainda com o palco de acesso livre “Estrella Galicia”, com destaque para os Infraktor, no dia 26, com “um sentimento bom de trabalho bem feito”, de acordo com Francisco Martins (Baterista) ou os The Godiva, no último dia, “ouro da casa” a encerrar o festival, antes do alinhamento dos DJ´s, o carismático António Freitas e o Nattu. Houve ainda a novidade, o Palco “Faz a tua cena”, destinado a talentos emergentes, onde se apelou à saída da garagem.

Entrei na poeira a tempo de ver os The Temple. Já eram familiares os rostos dos seguranças que me revistaram. O Festival esteve protegido pelos muitos agentes que nestes dias garantiram a paz. Não houve intervenção. Foi o contexto de espetáculo mais pacífico e harmonioso em que estive. Depois de um intervalo para carregar o meu telemóvel na tenda da organização, (onde voltei a receber o sorriso e generosidade da malta sem dúvida cansada, mas impagável em alegria, mais velhos e mais novos, todos em esforço sem esforço nenhum para encantar), regressei para ver e “passar-me” com os Crisix, só o Iggy Pop os consegue bater na memória dos concertos que vivi. Os “miúdos” de Barcelona não tem iguais. Com o seu Against the Odds, organizaram o mosh e “estouraram” tudo quando desceram para os braços dos que os ouviam com toda a loucura merecida. As covers dos Rage Against The Machine e Pantera contagiaram a audiência, há algum tempo não me divertia tanto com alguém a dirigir a minha emoção. Uma surpresa da nova geração Thrash que me fez recuar só um bocadinho por causa do pó levantado, era duro respirar tão perto deles. Seguiram-se os nossos Tarantula, absolutamente profissionais estes “líderes” do metal português, existente desde 81. Uma maturidade sentida em palco e no público que viu e ouviu elogios e sugestões da banda. Foi de lágrimas nos olhos que terminou a atuação.

O momento alto da noite fez-se esperar. Anunciados para as 00:20, os “grandes senhores” do Death Metal Melódico de Gotemburgo, os emocionados e emocionantes Dark Tranquillity entraram para se deixarem sentir às 00:40. Estiveram connosco até às 2h atrasando tudo, com direito. Só vivido. De cerveja na mão conforme habitual, o vocalista humano dos DT arrancou a adesão antes de chegar. O tema “Encircled”, de Atoma, levou tudo ao rubro. O albúm de 2016 foi cantado, mas a setlist trouxe verdadeiros hinos que nos encantaram sem pedido. Notas fortes para “Therein”, “Forward Momentum” e “Final Resistance”. A banda é o concerto e muito mais que isso. Aprendendo ao longo do ser percurso de 27 anos a fazer o confronto dos seus seguidores com a estagnação e com os males do mundo, no encore Mikael Stanne não resistiu e dirigiu-se a nós: “Portugueses, o que aprendi ao longo dos anos sobre vocês é que amam o que fazem, vocês não estão perdidos para a apatia”, antes da música especial “Lost to Apathy”. Prometeram voltar e agradeceram tantas vezes, tantas vezes. Mikael Stanne desceu do palco, veio às pessoas, e com o seu “Sweet” na voz deixou-se abraçar. O seu final “Misery´s Crown” ficará para sempre.

(c) Bia Santos / Semanário V

Depois de trocar o dinheiro para comer pelos Laurus, “notas” com a chancela do evento, fui experimentar, este ano havia de tudo para comer: vegetariano, vegan, gelados ou chá. E uma lua gigante, sob o recinto tão mágico e natural, com muita diversidade cultural, muitos espanhóis. Segundo o capitão Aguiar: “o Laurus veio para ficar e fará de Famalicão a Meca dos festivais de verão”. Que assim seja, digo-vos de coração. É muito fácil amar o Laurus, acima de tudo porque a organização é invencível na sua vontade e a missão desta gente inspiradora desde o início. Assim se continua um grande projeto: sem falar de política, contemplou-se Portugal e o mundo e fez-se, em pleno jus ao nome, “a coroação dos artistas, poetas e sábios”. Desejo que, na sua humildade toda, estas pessoas possam continuar a cumprir em 2019 e adiante e que a Casa do Artista Amador seja realidade. Estou rendida. E feliz! Até para o ano Laurus Nobilis. Obrigada!

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Andreia Santos

Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional