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Melão no Alívio. “Sem dúvida que é das coisas melhores que temos no país”

Fernando André Silva

Com o mês de agosto chegam as vendas do melão “Casca de Carvalho”, ou “melão de Soutelo”, à face da EN 101, junto ao Santuário do Alívio. Diariamente, são cada vez menos os que param para ‘apalpar’ o melão a ver se é bom, mas ainda vai dando para os gastos dos pequenos produtores, a grande maioria do concelho de Vila Verde.

Ainda abrigado do calor da tarde, António Fernandes, residente em Soutelo, não deixou de parar junto a um ponto de venda para comprar uma melancia. O soutelense leva o fruto mais pesado porque “se adequa a este calor”. “Amanhã vou a um passeio e levo melancia que tem mais água e é mais fresca para este calor. Mas também compro um melão para casa”, confessa, defendendo a venda ambulante deste produto.

“Eu compro aqui porque conheço o produtor e sei que o melão é de qualidade. Ter aqui estes vendedores é muito importante e é uma tradição que já é muito velha nesta terra e que tem é de ser preservada”, refere António, na ânsia de que a tradição nunca acabe. “Espero que não a deixem acabar. É muito característico aqui desta terra e é sempre bom passar e sentir o cheiro do melão casca de carvalho porque sem dúvida que é das coisas melhores que temos no país”, atira.

Já o vendedor, João Gonçalves, conhecido como “João do Rei”, lamenta que este ano o fruto seja escasso. “Este ano há pouco melão e agora vem este calor o que prejudica ainda mais. O melão saiu muito bom mas saíram poucos porque as chuvas de junho estragaram grande parte da plantação”, atira o pequeno produtor de 72 anos que espera ver preservada a venda deste fruto.

“Vai tudo para o rio, para a praia, só querem gelados e poucos ligam ao melão. A juventude só quer bebidas e gelados e não usa isto. Poucos querem. É pena porque isto é muito bom”, diz o agricultor de Coucieiro.

Durante todo o mês de agosto, perto de meia dúzia de vendedores ambulantes oferecem diferentes qualidades de melão casca de carvalho e outros frutos relacionados, grande maioria plantados em Coucieiro e Soutelo.

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Jornalista