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Moradores do centro da cidade pressionam Ricardo Rio: “Não é um centro histérico”

Braga c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Os moradores e trabalhadores do centro histórico da cidade de Braga estão descontentes com o alegado excesso de ruído naquele local, o que levou a que criassem um abaixo-assinado para entregar ao presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio.

No abaixo-assinado, reforçado com uma petição online, os moradores clamam atenção por parte da autarquia para “o problema da poluição sonora em Braga”, chamando a atenção para a “necessidade de tomada urgente de medidas para salvaguarda da saúde humana e do bem-estar”.

De uma forma mais concreta, os moradores e trabalhadores queixam-se de artistas que atuam na via pública com equipamento amplificador e aos eventos de maiores dimensóes que decorrem, dia e noite, dentro e fora do horário laboral, nas praças e arruamentos da cidade.

Bruno F. mora no centro histórico e dá como exemplo a apresentação do SC Braga na Praça da República. “Porque não utilizar um dos estádios municipais? Não se infernizava a vida das pessoas que pretendem passear ou jantar calmamente no centro da cidade durante o fim de semana, já para não referir o martírio sonoro que os residentes têm de suportar”, refere o bracarense.

No entanto, os signatários dizem não estar contra a animação de rua nem contra a dinamização da cidade e do centro histórico. Os signatários acreditam que “é possível encontrar um equilíbrio que reduza a  incomodidade demasiado frequente sentida pelos moradores e/ou trabalhadores da zona do centro histórico”.

“Por um lado, quando o Município de Braga organiza ou apoia eventos de grandes dimensões na  cidade, os moradores e/ou trabalhadores da zona do centro histórico são quase sempre os  sacrificados. Por regra estes grandes eventos decorrem no centro histórico ou têm aqui a sua  estrutura principal que sistematicamente recorre a música e amplificação de voz a níveis sonoros  incomodativos. Por outro lado, o ruído de rua tem vindo a aumentar com a presença sistemática de  artistas de rua que recorrem a equipamentos de amplificação do som, em particular na R. de S.  Marcos e imediações”, acusa o documento, apontando para os efeitos negativos na saúde humana e na redução da produtividade dos trabalhadores.

Se o Município pretende incentivar a fixação de residentes no centro histórico, então terá de assegurar que as  diversas funções e usos da cidade não colidem de forma tão conflituosa. Caso contrário, o centro  histórico tornar-se-á um local de mera recreação e uma zona despovoada”, alertam ainda os moradores, deixando algumas ideias ao edil.

“Elaborem um plano municipal que preveja medidas simples e de fácil aplicação para a  redução geral do ruído diurno e noturno; limitem ao mínimo indispensável a organização, co-organização ou apoio do Município a  atividades geradoras de ruído, em particular, no centro histórico; limitem a emissão de licenças especiais de ruído a situações excecionais e devidamente  justificadas; restrinjam o licenciamento de atividades musicais de rua apenas às que recorram a  equipamentos acústicos, sem quaisquer meios de amplificação; procedam a ações inspetivas com regularidade designadamente aos artistas que atuam na  via pública e aos grande eventos realizados”.

Também Luís Pedroso, presidente da junta de Maximinos, Sé e Cividade, onde se encontra a zona dos bares no centro histórico, alerta para problemas com o ruído, mas no caso por parte de alguns bares que não terão os locais devidamente isolados acusticamente.

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Jornalista