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Propaganda. Câmara de Vila Verde investiu 130 mil euros em ano de eleições

Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

O município de Vila Verde investiu um valor próximo dos 130 mil euros em publicidade no ano das eleições autárquicas. Segundo um documento de “Requisições Externas” que o V teve acesso, só numa empresa, Terraimagem – Edição de Publicações Periódicas, Lda, detentora do jornal Terras do Homem, foram gastos cerca de 48 mil euros para efeitos de paginação e divulgação dos eventos da Câmara Municipal de Vila verde.

A empresa que detém o jornal Terras do Homem, em termos de comunicação, foi a que mais faturou com a câmara em ano eleitoral, tendo ganho mais de 15 mil euros para a Rota das Colheitas. Este ano voltou a ser adjudicado em concurso público, num valor de 13 310,00 euros, em serviços de concessão de imagem para a Rota das Colheitas, Festa das Colheitas e Fim de Semana gastronómico, segundo detalhes disponíveis na plataforma do governo Base: Contratos Públicos Online.

A empresa ALIVE – Comunicação e Meios, Unipessoal Lda., proprietária do jornal online Pressminho, e dos jornais “O Amarense”, “Desportivo Vale do Homem” e “O Vilaverdense”, cujo proprietário destas publicações é o mesmo da agência de publicidade Ideiacinco, foi uma das empresas de publicidade que mais faturou com o Município de Vila Verde. A empresa ALIVE, soma cerca de 24 mil euros em prestação de serviços, apenas em 2017, de acordo com os detalhes contratuais da lista de “Requisições Externas” do ano passado, uma vez que estes contratos não estão disponíveis na plataforma online do governo.

No total, a Câmara Municipal de Vila Verde investiu cerca de 130 mil euros em publicidade. A empresa Carlos Araújo – Publicidade Unipessoal, Lda, faturou mais de 25 mil euros, também em 2017, em serviços de publicidade, tendo estado envolvida numa polémica acerca de Outdoors expostos que violaram a lei eleitoral.

Recorde-se que ainda durante o ano das eleições a Comissão Nacional de Eleições (CNE) notificou a Câmara Municipal de Vila Verde para retirar da rua sete cartazes publicitários relativos a obras em execução no concelho. Segundo uma deliberação da CNE, deu entrada uma participação de um cidadão contra a Câmara Municipal de Vila Verde, onde foi referido que o Município colocou “dezenas de Outdoors a anunciar obras em vários locais” o queixoso acusou, ainda, de que os Outdoors foram pagos com dinheiro público e serviram para “anunciar obras que não arrancaram e noutros casos para anunciar obras em curso”. “O objetivo é claramente eleitoralista”, escreveu ainda na participação, acrescentando que todas as semanas foram colocados novos Outdoors.

De acordo com a Comissão Nacional de Eleições, o Presidente da Câmara de Vila Verde, António Vilela, após ser notificado para se pronunciar, assegurou que “os Outdoors trata apenas de informações de obras que estão em execução ou em fase de procedimento concursal, no âmbito de candidaturas apresentadas e aprovadas no Programa Operacional Portugal2020”.

A CNE refere que os referidos Outdoors são ilegais, por violarem a Lei eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais, justificando que não continham a insígnia da União Europeia, existindo, pelo contrário, referências ao projeto e a slogans promocionais, como “Juntos Fazemos Vila Verde” e “Mais e melhor ambiente”.

A CNE avisou a Câmara de Vila Verde que, se os Outdoors não fossem removidos, incorreria na prática de um crime de desobediência, sancionável com coima de 15 mil a 75 mil euros.

Foram, ainda divulgadas as faturas das empresas responsáveis pelos Outdoors, entre elas a empresa de publicidade Carlos Araújo – Publicidade, Unipessoal, Lda, que recebeu mais de doze mil euros da Câmara de Vila Verde e, também, a empresa Vilatoldos – Publicidade, Unipessoal, Lda, recebeu cerca de cinco mil euros durante o ano das eleições.

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