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Sé de Braga troca bicicletário por estacionamento automóvel. Utentes da bicicleta revoltados

Redação
Escrito por Redação

A Associação “Braga Ciclável”, composta por centenas de bracarenses que favorecem a bicicleta como meio de deslocação na cidade de Braga, veio a público tecer duras críticas ao executivo municipal, questionando a retirada de estacionamentos para bicicletas [bicicletários] em deterimento de estacionamento automóvel.

Em comunicado enviado à imprensa, a associação liderada por Mário Meireles e Vítor Domingos denuncia mesmo um caso em que a Câmara justificou a remoção de um bicicletário junto à Sé de Braga, há cinco anos, por não ser permitido pela direçao geral do património. No entanto, no mesmo local, surgiu agora um lugar de estacionamento automóvel.

Esta instalação “agitou” a associação que via naquele bicicletário um “ponto estratégico”, não só para os bracarenses que adoptam a bicicleta como meio de transporte mas também para os cicloturistas, que também têm vindo a aumentar pela cidade e mostram-se incrédulos pela nova instalação.

O novo estacionamento, “ao serviço da Sé”, está instalado em zona de trânsito condicionado, no largo conhecido como “rossio”, e essa instalação, alerta a associação, legaliza a invasão de automóveis naquele espaço onde, segundo a mesma, “supostamente se dá preferência aos modos ativos” e, como local histórico e protegido, se devia dar primazia por transportes que não prejudiquem o próprio piso.

A associação deixa mesmo a questão sobre qual será mais prejudicial para o património, o peso de dez carros (dez toneladas) ou de dez bicicletas (cem quilos), mencionando ainda a diferença na poluição ambiental.

Para além desta situação, a Braga Ciclável alerta ainda para “desaparecimento de estacionamentos para bicicletas” na Rua Nova de Santa Cruz (quatro bicicletários removidos junto à UMinho) e no Forum Braga (dez bicicletários), que existiam na altura do Parque de Exposições de Braga e não foram restituídos, mesmo junto à ciclovia do rio Este.

A associação mostra-se insatisfeita também por um aparente bloqueio executivo à realização de duas propostas que venceram o Orçamento Participativo de freguesias do centro de Braga e que “sem nenhuma razão válida”, não seguiram.

“Para chegarmos a 1 de janeiro de 2025 (a data que Ricardo Rio propôs para alcançar a meta dos 10% de quota modal), faltam 2319 dias, cerca de 1592 dias úteis. Ter pelo menos 10 mil lugares de estacionamento implica que sejam instalados quase 5000 bicicletários, ou seja, instalar cerca de 15 bicicletários por semana”, alerta a associação, tecendo mais críticas ao executivo.

“Quando coisas tão simples, como a colocação de estacionamentos para bicicletas em locais estratégicos e identificados de uma forma cuidada, não são postas em prática, o que dizer das outras medidas mais estruturais e fundamentais para a promoção da mobilidade? Se este tipo de intervenções não é levadas a cabo, não é por falta de recetividade da população, mas falta de vontade técnica e política”, acusam.

“Face aos factos acima relatados, urge questionar: qual é, afinal, a estratégia de mobilidade do município, e qual o papel que prevê para as bicicletas? A mobilidade sustentável é uma aposta a sério, ou apenas fumaça? Será que é colocando ainda mais entraves ao uso quotidiano da bicicleta que se fará a tão necessária mudança de paradigma?”, questionam, deixando o alerta que para “mudar o paradigma da mobilidade implica adaptação e naturais transtornos iniciais”.

“Foi precisa coragem, por exemplo, para criar no nosso centro  uma das maiores zonas pedonais da Europa. Ainda que esta tenha muitos aspetos a melhorar, o certo é que nunca teríamos colhido os seus benefícios se tivesse faltado coragem. Assumir essa responsabilidade é, por isso, algo para que o município deve estar consciente se, de facto, essa mudança é um objetivo real e não apenas propaganda. É que não basta discursar e declarar intenções políticas, é preciso colocá-las em prática, em vez de fazer o contrário do que se prega”, finalizam.

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