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Ex-alunos juntam mais de um milhão de euros por ano para ajudar UMinho

UMinho - Campus de Gualtar
Redação
Escrito por Redação

A Universidade do Minho está a conseguir financiamento “muito acima do expectável” através do mecenato de ex-alunos, tornando possível a construção de uma residência estudantil, recuperar edifícios e desenvolver projetos científicos “muito impactantes”, revelou o reitor da instituição.

Em entrevista à Lusa, a propósito do Encontro Caixa Alumni 2018, que vai juntar no dia 15 ex-alunos da academia, Rui Vieira de Castro explicou hoje que a angariação de fundos através do mecenato está a ser “muito acima do expectável”, rondando mais de um milhão por ano, atribuindo o sucesso à “estratégia desenhada” pela instituição de “envolver a comunidade” para projetos sociais, culturais e de investigação.

“A Universidade do Minho (UMinho) vive a circunstância que vivem as universidades portuguesas, que é a necessidade de diversificação de fontes de financiamento, e, para isso , tem uma estratégia própria com a qual pretende envolve a mobilização de antigos estudantes, procurando torná-los sensíveis para alguma ação de retorno à universidade de algo que a universidade certamente lhes deu”, explicou o reitor.

Segundo Rui Vieira de Castro, “a UMinho teve a consciência que a disposição das pessoas para financiarem instituições ao nível do funcionamento regular da instituição, recursos humanos, é baixa. Por isso a estratégia foi num outro sentido, que explica o sucesso do caminho que estamos a percorrer”.

“A estratégia foi apelar a uma vinculação à universidade, sobre a forma de apoio a projetos da instituição e projetos de diferente natureza. Tivemos essa preocupação e essa visão, de apelar para coisas que pudessem ter materializações reconhecíveis e com as quais as pessoas se pudessem identificar”, desenvolveu.

O responsável salientou que os resultados obtidos são “claramente melhores do que era expectável” e que vão permitir o avanço de três projetos: “A construção de uma residência universitária em Guimarães, a recuperação do Convento de S. Francisco, em Braga, e o avanço de um importante projeto de investigação na área da medicina”, enumerou.

Sobre a nova residência universitária, Rui Vieira de Castro salientou que “é uma necessidade premente”, uma vez que “a UMinho tem cerca de 1.300 camas para cerca de 19 mil estudantes, o que é manifestamente pouco”.

Viera de Castro explicou que a “UMinho não pode aliar-se do problema de necessidade de alojamento para estudantes e que tem que encontrar no seu seio alguma capacidade de resposta num momento em que, por a parte do financiamento público, esta é baixa”.

“Estamos a conhecer um processo de transformação muito acelerado do parque habitacional. Acreditamos ter condições reais para mobilizar entre os nossos antigos alunos apoios para construção de uma residência universitária em Guimarães. Sabemos, no entanto, que não vai resolver o problema, vai ajudar a minorar”, explanou.

Outro projeto para o qual o mecenato terá um “papel preponderante” é a recuperação do Convento de S. Francisco, onde a UMinho vai instalar a Unidade de Arqueologia. Este é um projeto com um financiamento que “nunca será inferior a 3,5 milhões de euros” e que será feito com recurso a fundos europeus, sendo que a contrapartida nacional exigida “está assegurada” pelos antigos alunos através do mecenato.

A área científica é outra das vertentes que “colhe muito bem” o apoio dos antigos estudantes, apontando o reitor um projeto “que está a ser desenvolvido” na área da Medicina: “Com uma natureza mais científica, será um dos projetos mais impactantes que queremos desenvolver e será no campo da prestação de cuidados de saúde. No entanto ainda é cedo para revelar mais pormenores”, ressalvou.

Apesar dos bons resultados na área do mecenato, o reitor da UMinho não deixou de lamentar a falta de financiamento publico às instituições de Ensino Superior.

“É lamentável a situação de subfinanciamento das instituições por parte do Estado, que a reconhece, mas que não tem sabido dar respostas. O mecenato não é a forma de resolvermos isto, mas está a ser, sem dúvida, muito importante para a UMinho”.

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