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Braga. Turistas substituíram emigrantes no mês de agosto

Fernando André Silva

O mês de agosto trouxe o maior número de turistas de sempre à cidade de Braga e foi essa crescente que “safou” grande parte dos comerciantes que, em outros anos, vendiam mais a portugueses emigrados no estrangeiro.

O Semanário V esteve em alguns locais estratégicos do centro histórico de Braga para tentar perceber como correu o mês de agosto em termos de turismo. Na entrada principal da Porta Nova, junto ao Campo das Hortas, autocarros de turistas são “descarregados” às dezenas de forma diária durante os meses de verão.

Nuno Costa, atual proprietário do Quiosque das Hortas, conta que “de ano para ano tem aumentado”, mas reforça que “nunca tivemos tanto em turismo em Braga como este ano”. O jovem empresário que toma conta de um negócio de família implementado naquele espaço há mais de 50 anos, conta que desde a Páscoa que não tem parado.

“Desde a Páscoa começaram a chegar espanhóis e agora no verão foram os brasileiros e os italianos. A atividade turística tem sido diária, os turistas saem dos autocarros e vêm logo aqui comprar água ou café, que é o que mais se vende. Quando regressam, ao final do dia para voltar ao autocarro, voltam a passar aqui depois de terem andado pela cidade”, explica.

Quiosque das Hortas pertence á família Costa há mais de 50 anos (c) FAS / Semanário V

” A maior parte fala brasileiro e italiano e em agosto temos alguns a falar francês, emigrantes, mas foram em menor número. Acho que os emigrantes foram substituídos pelos brasileiros e os asiáticos foram substituídos pelos italianos”, aponta.

Comerciantes reinventam negócio para turistas

Também Abel Pimenta, do Quiosque da Porta Nova, embora ache que este ano esteja pior em termos de vendas que o ano transato, aponta um aumento de turistas brasileiros e redução de emigrantes. O comerciante revela mesmo que teve de reformular a loja, que vendia jornais e tinha serviços para a cidade como CTT, e agora passa a ser exclusivamente uma loja de recordações.

“Os turistas adoram isto, eu tenho galos de cerâmica que não partem quando atiro ao chão, combinações diferentes de roupa e a forma como vendo atrai muito os turistas que, ao sair do autocarro, param logo aqui para espreitar e alguns até para pedir informações para onde ir o resto do dia. Ao final da tarde voltam e vêm aqui agradecer-me pelas indicações e ainda compram mais qualquer coisa”, aponta.

Tabacaria do Arco é chamariz para turistas (c) FAS / Semanário V

No entanto, revela que houve um decréscimo nas vendas este ano a emigrantes e um aumento no que toca a brasileiros. “Eu quase que já só falo com sotaque brasileiro à quantidade de clientes que aqui chegam a falar assim”, brinca.

Já Alexandre Pereira, proprietário da loja Mundo do Desporto, notou uma quebra muito grande em relação a outros anos, quase 20%. Tinha como principais clientes os emigrantes que este ano resolveram trocar as voltas ao comerciantes.

“Notei uma quebra muito grande em termos de emigrantes no mês de agosto. Quer em número quer em compras. Nos turistas, até podem vir mais, mas notei uma ligeira quebra nas vendas, mas a maior foi mesmo dos emigrantes. Não encontro explicação para isso. Possivelmente vão para outros países. Em 2016 e 2017 houve uma grande concentração de emigrantes em agosto que não notámos este ano. Em termos de negócios, foi igual ao de 2015. O mês de julho era o melhor em turismo europeu, e houve uma ligeira quebra das vendas, na altura das chuvas. Em agosto tive uma quebra de 20% em relação aos dois anos anteriores e os dias de muito calor não ajudaram”, confessa.

Já Silvana Dias, da Cheesecake Story, fala em “quebra de 15%” em relação ao ano de 2017, mas revela que “mesmo assim, foi um mês muito bom”.

“Houve um decréscimo porque o ano passado houve um boom no turismo, mas foi um mês em que se vendeu bem. O nosso publico é composto mais por residentes, mas temos muitos turistas, porque aqui em baixo saem autocarros, especialmente de italianos e espanhóis. Notei aumento de italianos, acho que estão a visitar o país todo e estão mesmo a aderir ao turismo no nosso país”, conta, revelando que houve um decréscimo de asiáticos.

“Notámos um decréscimo de asiáticos neste verão. Raramente apareceram. Notei mais espanhóis, também, e sem dúvida que notámos ausência de emigrantes”, confessa, revelando mesmo que os 15% de quebra em relação ao ano passado foi mesmo a ausência destes.

“Emigrantes ficam mais pelas aldeias”

Outro dos locais onde existe uma enorme interação com turistas, embora não seja um comércio, é no quartel dos Bombeiros Voluntários de Braga.

O V falou com o sub-chefe Pedro Ribeiro que explicou que, diariamente, centenas de turistas passam pelo quartel para ver as viaturas antigas e até para entrar dentro de algumas. “Eles vêem as ambulâncias estacionadas lá fora e acabam por pedir para visitar e nós deixámos”, revela o sub-chefe que, face à ausência de parqueamento, em tom de brincadeira, anui que as ambulâncias estacionadas na rua já são “uma atração turística”.

“O que notamos este ano foram menos emigrantes a visitar o quartel. Acho que terá a ver com as condições que se foram criando nas freguesias do concelho e até nas vilas vizinhas, preferem ficar por lá do que vir para a confusão. E nos últimos anos encheram as ruas, agora se calhar já não é novidade nem há nada novo que os atraia”, conclui o bombeiro.

Unidades hoteleiras esgotam e feiras têm dado resultado

O Semanário V esteve no Posto de Turismo de Braga onde falou com alguns responsáveis daquele entidade. Embora não haja forma de contabilizar se houve decréscimo de emigrantes ou não, até porque “não se vai estar a perguntar às pessoas se são franceses ou emigrantes”, a responsável daquele espaço concluiu que houve um aumento de turistas, até pela lotação das unidades hoteleiras da cidade.

Turistas preferem Braga (C) FAS / Semanário V

“Tivemos vários dias em agosto em que não havia um único quarto disponível nos alojamentos da cidade”, disse,

“Estas coisas não acontecem por acaso. Tem havido um grande investimento na cidade em termos de criar espaços para receber os turistas e também tem havido um enorme esforço do pelouro do Turismo da Câmara de Braga para divulgar o nome da cidade lá fora. Temos vários turistas que encontramos em feiras internacionais onde vamos marcando presença e passam por aqui para nos dizer que resolveram seguir o nosso conselho e visitar Braga”, aponta a responsável, indicando que os números oficiais do mês de agosto vão ser divulgados a 27 de setembro pelo vereador Altino Bessa, que deverá trazer também a novidade da taxa de um euro por dormida aos turistas.

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Fernando André Silva

Jornalista