Andreia Santos Opinião

Opinião. “Sukha”

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

Quando gostamos de alguém e mesmo quando não sentimos nada de especial por uma pessoa, o melhor é desejar-lhe sucesso e felicidade. É humanamente mais lucrativo e é adulto. Será tanto mais adulto quanto mais espontâneo for. Como se chega a este sentimento altruísta? E, em acréscimo: como nos livramos do lado destrutivo da inveja, da ambição, da angústia? De querer as “vantagens” dos outros? Estas emoções que, embora úteis, fazem com que quem as vive intensamente tenha por objetivo fundamental a redução da dor de as sentir, muitas vezes através de comportamentos menos positivos para com os outros.

Em 2000, Chade-Meng Tan foi a 107ª contratação da Google. Quando entrou na empresa o autor de Search Inside Yourself percebeu que as pessoas estavam frequentemente infelizes e improdutivas. Os colaboradores viviam angustiados, se nada de bom acontecesse ficavam tristes, uma espécie de obsessão interna que não tornava fácil o ambiente no trabalho. Este engenheiro convenceu então a organização a implementar um programa de Inteligência Emocional para promover a compaixão entre colaboradores. Chade é amigo de Barack Obama e de Dalai Lama e tem uma aspiração: potenciar a paz mundial. Chegou à conclusão de que esta só será possível através do trabalho do bem-estar interior. Compreendeu que poderia alinhar o bem-estar, alegria e a compaixão com a produtividade, “terás tanto mais sucesso quanto mais feliz fores”. Conjuntamente com Daniel Goleman e outros desenhou o SIY, “Procura Dentro de ti Mesmo”.

Têm aumentado os artigos cientificos que traduzem os benefícios da compaixao nos workplaces e na vida em geral. Este sentimento é tido pela expressão mais fiel de felicidade que existe. Chade, um chinês, nascido em Singapura, acreditando que o sucesso lhe traria felicidade, acabou por perceber que a volta será ao contrário: será a felicidade que levará ao sucesso, por isso a primeira missão será a de cuidar do que sentimos. O programa que implementou tem três passos: treinar a atenção plena, o mindfulness ou meditação, uma vez que esta é a base de todas as atividades cognitivas e emocionais, para facilitar uma mente calma e clara. Desenvolver o auto-conhecimento e o auto-controlo e desenvolver novos hábitos mentais, onde pediu aos colaboradores para que sempre que encontrassem alguém lhe desejassem que fosse feliz. A expressão mental do “Eu quero que tu sejas feliz”, passou a ser insconscientemente percebida pelos ouros em ambiente corporativo criando confiança, ou seja, a base de todas as boas relações laborais.

A humildade pode assim nascer na Google diariamente. As organizações podem e devem criar uma cultura “apaixonada” por um bem maior, uma empresa que só gera dinheiro não cumpre o seu papel fundamental que será o de ajudar a que se viva melhor. Facilitando a autonomia, deixando os colaboradores ser o que são. Contribuindo para o desenvolvimento pessoal e o crescimento interno, por exemplo assumindo que a boa liderança advém do carácter, das qualidades da pessoa.

De acordo com este autor, treinando primeiro a felicidade podemos alcançar o sucesso, mas igualmente desfrutar dele, deixando ir sentimentos que auto-reconhecemos e não deixamos crescer porque dentro de nós temos uma base segura, uma autoestima equilibrada. Não será muito fácil ser feliz, mas será mais simples que o suposto. Treinar o nosso cérebro para atender aos momentos de alegria que temos será o primeiro passo para o familiarizar com ela e nos tornarmos mais gratos, mais positivos e assim bondosos. A felicidade no trabalho aumenta as vendas, a produtividade e a precisão na execução das tarefas. Em geral, torna-nos resilientes e mais populares, melhores pessoas e mais eficazes a estudar, a trabalhar a estabelecer bons vínculos com os outros. Setembro já cá está. Gosto deste mês em que ainda há sol e tudo recomeça. Desejo a todos que seja pleno, com a percepção do sukha, a felicidade genuína que está sempre lá, às vezes não se vê…

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Acerca do autor

Andreia Santos

Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional