Destaque Vila Verde

Economia. Vendas em Prado triplicaram com o Mundial de Canoagem

(c) Luís Ribeiro / Semanário V
Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

O Mundial de Canoagem de Maratona, realizado este ano na praia fluvial do Faial, trouxe milhares de pessoas à Vila de Prado e os comerciantes lucraram “mais do triplo” este ano, do que no período homólogo do ano anterior, tendo as vendas em setembro superado as de agosto.

Em representação de 38 países, mais de mil atletas juntaram-se, do dia 3 a 9 de setembro, no faial, que passou a ser uma referência mundial da canoagem, capaz de receber as maiores competições internacionais e colocou Vila de Prado e Vila Verde no radar nacional e internacional. Não só a competição trouxe prestígio à localidade e a Vila Verde, como também foi crucial no impacto económico da localidade.

No café Le Bordeux, no rio de Prado, as vendas, na primeira semana de setembro, superaram as registadas em agosto, que é, por norma, o pico da faturação do café. Alberto Oliveira, atual proprietário do café que oferece uma vista privilegiada para o rio, gaba-se das centenas de pessoas que assistiram às provas da esplanada, e conta que “as vendas duplicaram em setembro, comparativamente a agosto, o mês em que, normalmente, o café tem mais lucro”. “As vendas aumentaram mais de 50% nesta semana, em relação ao mês passado, que também foi bom. As pessoas compram e vêm a competição da esplanada e continuam a comprar”, conta.

Com um sotaque acentuado, a mulher de Alberto, francesa, ainda não fala bem o português, mas todos os restantes funcionários falam pelo menos três línguas, que lhes compensaram nas gorjetas que receberam na primeira semana do mês.

“Muitos estrangeiros ficaram admirados com os preços praticados aqui em Portugal e o consumo aumentou imenso”, aponta. Os atletas de África do Sul contaram, ainda, que fizeram uma paragem no aeroporto de Luanda e um fino custou-lhes €7,50, “e aqui fica a €1,20”, acrescenta o proprietário do café.

Contudo, e apesar da competição chamar centenas de pessoas a assistir, a população local apareceu em menor número nestes dias. Alberto conta que “95% dos clientes são estrangeiros” e que “os portugueses vão chegar a partir da próxima semana, quando o rio estiver aberto a banhos. Agora não há muitos moradores por aqui, só quem gosta de ver as provas, de resto são todos estrangeiros”.

Apesar da diminuição do número de portugueses, o impacto económico foi maior do que o expectável. “O ano passado foi uma miséria, tivemos aqui bandeira vermelha, que estragou tudo, e em setembro o trabalho cai totalmente. Este campeonato trouxe muita gente, muito dinheiro, e a organização foi uma maravilha, todo o trabalho que fizeram aqui merece ser apreciado.”

Apesar do impacto do comércio ter sido superior no café Le Bordeux, Vila de Prado e o comércio local também sofreram um aumento no registo de vendas, especialmente comparando este período do ano, relativo ao homólogo do ano anterior. Os restaurantes continuaram a praticar os mesmos preços e a fazer o dobro do dinheiro. A área envolvente à competição, na praia fluvial, também ficou preenchida de expositores de artesanato e gastronomia local, para despertar a atenção dos visitantes estrangeiros que, garantem os comerciantes, “são muito simpáticos. Para nós, e para todos, foi um gosto trabalhar com eles e para eles, que facilitam muito o trabalho.”

Comentários

Acerca do autor

Mariana Gomes

Mariana Gomes

Jornalista