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Meia centena de arguidos em processo de alegado desvio de fundos europeus em Braga

Redação
Escrito por Redação

O processo de investigação que decorre no Departamento Central de Investigação e Ação Penal relacionado com um alegado desvio de fundos europeus por parte da agora extinta Associação Industrial do Minho já conta com mais de 50 arguidos, entre os quais alguns empresários próximos à Universidade do Minho, com sede no IEMinho, em Soutelo.

Um dos principais arguidos deste processo é o antigo presidente da Associação Industrial do Minho, o empresário António Marques, que liderou os destinos daquela associação durante 14 anos, até que a mesma faliu e foi mandada encerrar pelos credores, com uma dívida que ascende aos 12 milhões de euros. Ao antigo presidente foi mesmo exigida uma caução de 500 mil euros, por parte do conhecido juiz Carlos Alexandre.

O alegado esquema de desvio de fundos europeus

Segundo avançam vários órgãos de comunicação social, o processo foi despoletado após suspeitas de que a AIMinho estaria envolvida num esquema de captação de subsídios europeus com recurso a várias empresas [pelo menos quatro, avança o jornal SOL], pelas quais apresentavam projetos para captar fundos que seriam depois canalizados para outros fins.

Segundo a investigação, este esquema resultou na emissão de faturas falsas num valor próximo dos dois milhões de euros, entre 2008 e 2013. Essas faturas serviam para “baralhar” os meios legais de obtenção destes fundos. Segundo o jornal SOL, os arguidos, mesmo sabendo que decorria uma investigação, continuaram a usar o mesmo esquema.

Uma das empresas alegadamente envolvidas neste esquema é a YeastWine, sediada em Soutelo, no Instituto Empresarial do Minho, e que se dedica à solução de questões relacionadas com agricultura. Esta empresa é uma spin-off da TecMinho [Universidade do Minho], empresas que têm o apoio dessa universidade e das autarquias locais para que iniciem projetos inovadores relacionados com tecnologia.

Os fundos desviados por intermédio dessa empresa representam um valor baixo no total da fatia do bolo [75 mil euros] e foram solicitados para pagar consultoria científica a professores da UMinho, consultoria essa que, segundo a investigação, não chegou a acontecer.

António Marques tinha “acesso direto a Passos Coelho

Outra das suspeitas do Ministério Público recaem sobre influência e favores prestados por elementos ligados ao anterior Governo PSD, liderado por Passos Coelho, de quem António Marques seria amigo.

Segundo a investigação, o então presidente da AIMinho ligava a horas tardias [há um exemplo de uma ligação às 23h] para o então secretário de Estado da Economia, a quem tratava por tu, e ao na altura ministro da Administração Interna, Miguel Macedo. Esta ligação envolveu António Marques no processo dos Vistos Gold, devido a um projeto na área da saúde.

Câmara de Vila Verde pode comprar parte que a AIMinho detém no Instituto Empresarial de Soutelo

A agora extinta AIMinho detinha uma parte significativa do IEMinho, localizado em Soutelo, parte essa que pode ser adquirida pela Câmara de Vila Verde, outra das detentoras de parte daquele centro empresarial. A proposta deverá ser em breve apresentada aos credores da AIMinho.

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