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Bracarenses querem mais estacionamentos para bicicleta na cidade

Fernando André Silva

Victor Domingos, fundador do blogue que deu origem à Associação Braga Ciclável e utilizador de bicicleta para deslocações dentro da cidade de Braga quer ver reforçado o estacionamento no centro histórico da cidade.

O ciclista publicou nas redes sociais uma foto do bicicletário situado no largo Barão S. Martinho, lotado, apelando à autarquia bracarense para acrescentar mais lugares naquela zona central da cidade.

Em declarações ao Semanário V, explica que, de todas as infraestruturas existentes na cidade para estacionamento de bicicleta, apenas 24 delas são adequadas, totalizando apenas 186 lugares para ciclistas.

“Pela cidade existem 24 lugares com estacionamento que reúnem condições para aparcar uma bicicleta, o que significa que na maior parte das nossas deslocações pela cidade não temos estacionamento adequado”, aponta.

Victor Domingos refere que há um grande número de pessoas que gostariam de passar a utilizar a bicicleta nas suas deslocações quotidianas, mas que, para isso são necessárias condições para se deixar a bicicleta na rua com segurança.

“Deixar a bicicleta encostada a um qualquer poste, além de não ser nada convidativo ao uso deste meio de transporte, não permite estacionar a bicicleta de forma segura, prendendo pelo menos, como é aconselhável, ambas as rodas e o quadro”

Um argumento com que os utilizadores de bicicleta se debatem em Braga passa por “deixarem as bicicletas mais longe”, algo que é refutado por Victor. “Ter a bicicleta estacionada muito longe, ou mal presa, é meio caminho andado para haver roubos e vandalismo, e consequentemente para desencorajar as pessoas de trocar o carro por este meio de transporte que traz tantas vantagens a quem o usa e à cidade”.

“O Município deve incentivar e criar condições para que mais pessoas possam usar a bicicleta. Mas se queremos que a mudança aconteça, temos de pôr em prática algumas medidas como esta. Infelizmente, nos últimos anos, Braga tem ficado muito aquém das expectativas a este nível”, vinca.

Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga, afirmou que até 2025 pretende ter uma “quota modal” de 10% de deslocações feitas em bicicleta. Mas Víctor Domingos não vê avanços para que se atinja essa média.

“Temos uma rede viária muito deficiente em termos de segurança e pouquíssimos estacionamentos para bicicletas. Passam-se anos sem que haja a colocação de novos estacionamentos nos locais cuja necessidade já se encontra perfeitamente identificada. Inclusivamente, foram retirados alguns dos que existiam, perto da Universidade em Gualtar, e junto ao Fórum Braga”, alerta.

É uma questão de credibilidade do Município

“O que é caricato, ou mesmo ridículo, a meu ver, é que tenham sido gastas centenas de milhares de euros na requalificação da Rua Nova de Santa Cruz, a pretexto da criação de um pequeno troço de ciclovia, numa zona fortemente comercial, e não tenha sido criado um único lugar de estacionamento para bicicletas, por forma a permitir os utilizadores acederem de bicicleta aos estabelecimentos comerciais e de restauração”, aponta.

O bloguer refere ainda que é escandaloso dois projetos vencedores dos Orçamentos Participativos (OP) de Juntas de Freguesia – São Victor e São Lázaro – estarem “bloqueados no município”. “Dois projetos que foram votados pela população e que deveriam estar já implementados no terreno, uma vez que já passou cerca de um ano”, diz, apontando esses dois locais como tendo “forte procura” por ciclistas, junto a serviços.

“São questões que já extravasam a simples questão prática de não termos estacionamentos para as bicicletas. É também uma questão de credibilidade dos próprios processos democráticos, como os OP. Não adianta de nada dizer que se vai criar condições para bicicletas e que se quer apostar na mobilidade sustentável, se depois são criadas dezenas de novos lugares de estacionamento para automóveis e poucos ou nenhuns para bicicletas. Tem faltado coerência entre o discurso político e o que se vê depois na prática, nesta matéria”, vinca.

Victor, e a restante comunidade da Braga Ciclável, clama por 10% de estacionamentos para bicicletas, caso a intenção de Ricardo Rio seja levada avante até 2025. “Se temos na cidade cerca de 50.000 lugares para automóveis, o nosso objetivo até 2025 deveria logicamente ser 5.000 lugares para bicicletas ao longo de toda a zona urbana. Falta-nos 96%”, aponta.

Não se podem instalar estacionamentos sem um planeamento cuidado

Mário Meireles, atual presidente da Braga Ciclável, refere ser “fundamental” uma adaptação das infraestruturas viárias para existir uma maior procura do uso da bicicleta na cidade. “O lugar onde aparcamos o veículo é igualmente importante e precisa de muito cuidado técnico. Não se podem instalar estacionamentos sem um planeamento cuidado, e não podem ser instalados ao sabor de opiniões pessoais, tem que haver fundamento técnico. E depois há ainda o cumprir do desejo das populações, se há OP vencedores, então que se autorizem as juntas a instalarem esses estacionamentos”, vinca o dirigente.

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Jornalista