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JP de Braga: “Ricardo Rio não está a ser incoerente. Está a defender os bracarenses”

Fernando André Silva

“Mantenho a confiança num presidente de Câmara que muda as suas posições, ao invés de hipotecar as futuras gerações”.

A afirmação é de Francisco Mota, líder da Juventude Popular (JP) de Braga, que “nadou” hoje contra a corrente das últimas semanas e veio a público defender a decisão de Ricardo Rio em alienar a antiga Fábrica Confiança a privados por 4 milhões de euros, dizendo ainda que “a JP tinha razão”.

Em comunicado, o líder centrista recorda que na altura da compra do imóvel, em 2012, manifestou-se “contra” a aquisição do mesmo por parte da Câmara de Braga, relembrando também que Firmino Marques, atual vice-presidente da autarquia e na altura presidente da junta de São Victor, também não concordou com a aquisição.

“Ricardo Rio não está a ser incoerente, está sim, a assumir a responsabilidade que os bracarenses lhe confiaram, sem nunca colocar em causa as contas públicas nem as futuras gerações, sendo também esta uma opção politicamente legitimada no último ato eleitoral, visto que a alienação constava do programa apresentado pelos candidatos da Coligação ‘Juntos por Braga’”, defende Francisco Mota.

As ruínas do antigo edifício foram adquiridas pela Câmara de Braga em 2012 pelo executivo de Mesquita Machado, mas Ricardo Rio foi uma das vozes que mais defendeu essa compra, tendo inclusive participado ativamente no negócio que comprou a fábrica por 3.5 milhões de euros ao vice-presidente da Altice Portugal.

Na altura, a JP de Braga alertou para a conjuntura económica de crise que se vivia e que não havia prespetiva futura dos fundos comunitários poderem ser utilizados para a recuperação pública da antiga fábrica de sabonetes e perfumes, outrora principal dinamizador económico da cidade de Braga.

“Volvidos cerca de seis anos do processo de aquisição, é com a mesma convicção que posso dizer: a Juventude Popular de Braga tinha razão”, diz Francisco Mota, reforçando que a CMB não tem acesso a qualquer financiamento comunitário para promover a reabilitação do imóvel à luz do quadro comunitário, e dessa forma o executivo municipal, e bem, teve que reavaliar a sua posição sobre a intervenção a ter no edificado da Confiança”, escreve o também adjunto do gabinete do vereador Altino Bessa.

“Histerismo socialista”

Francisco Mota fala ainda em “histerismo” por parte do Partido Socialista de Braga, a quem “cola” a etiqueta de “construir e comprar” sem saber “quem paga”, apelidando esse “modus operandi como “receita socialista”. “Junte apenas um pouco de irresponsabilidade, hipocrisia e ignorância matemática. Misture tudo e dissolva a transparência. Por fim, sirva com uma boa dose de cinismo político”, aponta.

“No entanto, deste ‘preparado’ resulta um problema: o sabor amargo a impostos, descontrolo orçamental e bancarrota, constituindo, este, o legado que as novas gerações herdarão do partido socialista. Talvez desistindo da luta d classes, os socialistas declaram, agora, como principal inimigo, as novas gerações”, aduz o centrista.

“Mas, não é essa a nossa visão de cidade e de serviço público. Não destruiremos o futuro dos jovens, hipotecando as suas ambições e a sua liberdade em troca da sobrevivência de um projeto político esgotado” finaliza Francisco Mota.

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Fernando André Silva

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Jornalista