Vila Verde

É oficial! Fábrica Confiança vai ser vendida a privados

Fachada Confiança c) Nelson Garrido
Agência Lusa
Escrito por Agência Lusa

A Câmara de Braga aprovou hoje a venda da antiga saboaria Confiança, com os votos contra do PS e CDU, que acusaram a maioria PSD/CDS-PP/PPM de ser uma “comissão liquidatária do que resta do património industrial” local.

A venda do complexo da Confiança, por cerca de quatro milhões de euros, foi aprovada na reunião do executivo desta manhã, com os votos contra da CDU e do PS, que pediram mesmo que o ponto fosse retirado da ordem de trabalhos “para poder ser mais amplamente discutido”.

A maioria liderada por Ricardo Rio recusou retirar a proposta, argumentando que a venda da antiga saboaria já constava do programa eleitoral sufragado em 2013 e que é a forma de “salvaguardar o património” que aquele complexo representa para a cidade.

A CDU e o PS apresentaram então uma proposta, cada um, para abertura do procedimento de classificação do complexo como sendo de interesse municipal, com o objetivo de “tentar salvaguardar ao máximo o valor patrimonial e cultural” do complexo, considerando que o caderno de encargos da alienação aprovada “é apenas ‘fachadismo’ e que pouco ou nada preserva”.

“Há uma pressa incompreensível neste processo, na aprovação desta venda. Isto devia ser mais amplamente discutido, com o envolvimento da sociedade civil e não apenas dentro da maioria deste executivo, que com esta decisão se transformou na comissão liquidatária do que resta do património industrial da cidade”, afirmou à Lusa, no final da reunião, o vereador do PS Artur Feio.

Segundo o socialista, “o argumento da falta de fundos para investir não cola”, porque “é gasto dinheiro noutras opções menos prioritárias e se neste quadro comunitário não houve espaço para este projeto, isso não implica que não haja no próximo”, pelo que “a Confiança devia continuar na esfera da autarquia”.

Também o vereador da CDU, Carlos Almeida, defendeu, em declarações à Lusa, a manutenção no património da autarquia do complexo e criticou a forma como o processo está a ser conduzido, afirmando: “Há aqui uma pressa que não se entende, talvez imposta por um eventual comprador, a maioria o saberá”.

“Hoje é um dia muito triste e negro para o futuro da Confiança. Temos ainda alguma esperança que a sociedade civil se mobilize e que venha a ser impedida esta venda hoje aprovada. A Confiança devia continuar como um ativo do município”, sublinhou Carlos Almeida.

Confrontado pela Lusa, o presidente da autarquia, Ricardo Rio, refutou as acusações do PS e da CDU, considerando ser “uma afirmação excessiva” afirmar que a maioria que lidera é uma comissão liquidatária do restante património industrial da cidade.

“Esta opção tem uma ótica precisamente de salvaguarda do património que a Confiança representa, como está espelhado no caderno de encargos da proposta. Também nós gostaríamos de ter recursos infindáveis, mas não temos. Temos que fazer opções, ser racionais e a salvaguarda do património pode ser conseguida por privados”, explicou.

O que resta do complexo onde funcionou a fábrica de sabonetes Confiança foi comprado pela câmara em 2012, ainda no mandato de Mesquita Machado, por 3,5 milhões de euros, tendo em vista a reabilitação dos edifícios e a criação de uma área museológica que preservasse a memória da indústria da cidade.

A venda daquele património não é consensual na cidade de Braga, estando a circular uma petição online desde sexta-feira, que conta com cerca de 1.000 assinaturas, contra esta operação.

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