Braga

Quem é o presidente de junta do PSD que está a “abalar” Ricardo Rio?

Ricardo Silva na abertura das Festas de S. João 2018 c) FAS / Semanário V
Fernando André Silva

Perfil sóbrio, cabelo arrumado, mais casacos do que gravatas e um dom (classificado por alguns como um defeito) de conseguir fazer um pouco de tudo e quase sempre bem, diz quem com ele trabalhou vários anos.

Arqueólogo e historiador, Ricardo Silva é o presidente da Junta de São Víctor, e está na linha da frente na contestação pública à decisão de Ricardo Rio de alienar a arruinada fábrica da Confiança a privados, aprovada esta quarta-feira em reunião de executivo da Câmara de Braga (CMB).

Desde março que demonstra insatisfação com o executivo municipal por não concordar com o desfecho da requalificação da Rua Nova de Santa Cruz, a mesma que em certo ponto alberga a fachada principal do esqueleto da saboaria.

O debate que organizou na passada semana “incendiou” a sociedade civil bracarense e incomodou o edil que não compreendeu o porquê de “só agora” esta contestação à alienação.

Ricardo Silva, primeira escolha de Rio para liderar aquela freguesia, respondeu por carta, com conhecimento do Presidente da República e do ministro da Cultura, onde pede seis meses para uma eventual solução que não passe pela alienação da antiga saboaria.

Ricardo Silva é “relançado” por Ricardo Rio pela coligação centro-direita Juntos Por Braga em 2017

Foi a primeira escolha de Ricardo Rio para candidato a São Victor

Aos destinos da freguesia mais populosa do concelho desde 2013, foi primeira escolha de Ricardo Rio para substituir Firmino Marques, que terminava um triplo mandato para depois assumir funções, que ainda exerce, de vice-presidente da CMB. Ricardo Silva apresentou-se como independente pela coligação centro-direita ‘Juntos Por Braga’ que juntava PSD e CDS-PP, estatuto que ainda hoje mantém, assim como a maioria dos eleitos do executivo em São Victor.

Antes esteve ao leme da associação Jovem Cooperante – Natureza/Cultura (JovemCoop) e deu-se a conhecer a Braga precisamente na defesa de património edificado em São Victor, no caso os moinhos das Sete Fontes, criando registos historiografados de relevante valor cultural, lia-se no comunicado de apresentação da coligação em 2013.

Convertidas, Guadalupe, candeeiros do Campo Novo ou a Casa do Areal, onde se estreou como candidato à junta, foram outras das causas de Ricardo Silva ao leme da JovemCoop que o catapultaram para a esfera política.

Na altura, o edil elogiou Ricardo Silva, apontando-o como alguém com um “talento excecional” e “consistente” para ser o “substituto óbvio” de Firmino Marques. “O nome de Ricardo Silva foi a primeira opção para liderar esta lista”, foi das frases que mais aplausos rendeu a Ricardo Rio naquela tarde, na Casa do Areal, quando Ricardo Silva ainda usava blusões de cabedal.

Na reeleição de 2017, o presidente da CMB voltou atenções para as Sete Fontes, para o complexo da Rodovia e ainda para o centro cívico para albergar a sede de junta. Ricardo Silva, na altura, reforçou a intenção de captar esse investimento, dizendo mesmo que “não há festas e festinhas em Braga, há sim trabalho sério, trabalho pela cidade de Braga”. A “Confiança” não foi bandeira de campanha.

Já em março deste ano, depois de ouvir as associações de ciclistas da cidade, o autarca entrou em rota de colisão com o executivo municipal, manifestando discórdia sobre vários aspetos da intervenção na Rua Nova de Santa Cruz, avenida que alberga a fachada principal das ruínas da Confiança. Na altura, Ricardo Silva já estaria incomodado, antecipando este cenário que, já tinha sido avançado pela CMB em 2016, sem, no entanto, saber quando seria a aprovação levada a cabo hoje.

Ricardo Silva levantou onda de contestação por entre populares e políticos

“O que nos indignou foi não termos sido informados da decisão a tempo de preparar eventualmente uma proposta ou promover o debate público”, avançou o autarca de São Victor ao Diário de Notícias.

Na resposta, Ricardo Rio diz que em julho a CMB deu conhecimento formal da intenção de alienação e pediu a participação da Junta de São Victor para contribuir na elaboração do Caderno de Encargos e que a resposta foi a organização de um debate, já em setembro.

Já Ricardo Silva diz que o documento foi enviado pela CMB em agosto e apenas respondido na segunda semana de setembro, devido às férias do executivo.

O debate organizado pelo autarca acabou por provocar reações dos partidos políticos, levando mesmo a comunicados por parte das três “jotas” de Braga.

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Jornalista