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Nasceu em Terras de Bouro e é dos melhores do mundo a pilotar drones

Fernando André Silva

Rui Antunes, de 32 anos e natural de Terras de Bouro, lidera o Campeonato Mundial de Drone-Racing no escalão sénior e ocupa a quarta posição na geral entre mais de 500 pilotos de todo o mundo.

O estudante no curso profissional de Fabrico e Construção de Drones no Instituto Politécnico de Castelo Branco tem dado que falar um pouco por todo o mundo e o título que ostenta de campeão nacional vai levá-lo à China em novembro, para competir entre a elite do drone-racing de cada país numa prova única.

Rui Antunes é constantemente notícia a nível nacional. Mas poucos sabem que é natural de Terras de Bouro

A viver em Castelo Branco, o piloto internacional nasceu na freguesia de Vilar da Veiga, já dentro do Parque Nacional Peneda-Gerês, de onde saiu com os pais ainda na infância rumo a Montemor-o-Velho.

Ao Semanário V, confessa que é bastante ligado às raízes geresianas e visita a família no Gerês “duas a três vezes por ano”, mas o “drone-racing” e a construção de mais de 40 drones nos últimos anos não permitem mais visitas à “vila das termas”.

Mais de 500 pilotos em 50 corridas por ano

Mas queremos saber como é que Rui Antunes ostenta agora o título de um dos melhores do mundo? A “oficialização” da corrida de drones em Portugal permite aos pilotos lusitanos a participação no campeonato do mundo e Rui tem sido o melhor no seu escalão. Apenas os “putos” da região de Hong Kong parecem conseguir melhor.

“Este ano ainda só fui a cinco corridas, duas delas em Espanha”, conta Rui, algo que para já chega para estar na liderança do escalão e em quarto da geral por entre 500 pilotos a nível mundial. As outras três corridas em que participou e que o catapultam para a liderança foram em Portugal, França e Alemanha.

Última vitória permitiu a Rui ascender à liderança do escalão senior

No campeonato do mundo, cada pais que esteja oficializado pode ter duas corridas por ano, chegando cada época a contar com perto de 50 corridas. No entanto, apenas os cinco melhores resultados de cada piloto contam para a avaliação final, e têm de ser obtidos em cinco países diferentes.

Rui explica que apesar de ser um campeonato mundial, os pilotos podem fazer a gestão nos países europeus e tentar conseguir os cinco melhores resultados no “nosso” continente.

Sobre arriscar em outros países, Rui confessa que gostava, mas “não há apoios”. Basicamente só temos apoio a nível de material. Quando for à China vou ter de pagar do meu bolso”, aduz, compreendendo no entanto que a FPAM não consegue ter financiamento assegurado para tantas modalidades.

“Estes dois últimos anos surgiram perto de 40 praticantes de drone-racing. Já é a modalidade dentro da federação com maior número de praticantes”, conta, explicando que muitos praticantes de corridas de aviões estão a virar-se para os drones.

Rui também não era virgem no aeromodelismo. Começou há mais de dez anos a controlar aviões, e foi um passo para participar em corridas. “Quando apareceram os drones, uma grande novidade mundial, eu comprei logo um para experimentar. Fiquei com uma sensação de liberdade e agilidade que não tinha nos aviões e foi logo aí que comecei a preferir os drones”, explica. “É a adrenalina que transmitem. É mais intenso”.

Drone pode ser útil na terra natal de Rui Antunes

O Parque Nacional Peneda-Gerês conta com vários drones adquiridos pelo Governo para efeitos de vigilância. Embora ainda se desconheçam resultados visíveis dessa experiência, Rui Antunes não tem dúvidas das vantagens dessa medida.

Rui constrói os próprios drones. E já vai perto da meia centena

“Para prevenir incêndios é do melhor que pode haver. Nem é só pelo sistema de câmaras que possui. Só o facto de percorrer a área em pouco tempo acaba por desmotivar possíveis incendiários”, aponta o estudante deste novo objeto voador, defendendo ainda que “ficam mais baratos do que os helicópteros”.

Mas também a vigilância do gado típico do Gerês pode ser uma utilização para esta tecnologia. “Tudo depende da imaginação”, atira Rui, explicando que “a tecnologia existe, mas são precisas novas ideias para a colocar em prática em todas as áreas”.

“Em relação à agricultura, existem várias formas de rentabilizar através de drones, para controlar o gado, por exemplo. Podemos colocar etiquetas digitais nos animais e controlá-los através de sistema GPS. Basta ter imaginação e utilizar a tecnologia que já está disponível”, afirma.

Para o seu próprio futuro, Rui não tem grandes planos. “Neste momento não estou muito preocupado sobre que área seguir. Quando estiver pronto para começar a trabalhar, e se quiser trabalhar nesta área, verei as opções. Pode justificar-se criar algo novo ou então trabalhar por conta de outrem”, vaticina o estudante do curso técnico virado para a construção destes objetos voadores.

Corrida de drones pode ser feita em Braga

As provas de drone-racing a nível nacional são organizadas pelos clubes de aeromodelismo. Questionado sobre as condições do clube de Braga para receber este tipo de provas, o piloto internacional não tem dúvidas, dizendo mesmo que “basta o clube ter vontade de organizar”.

Corrida de drones ganha cada vez mais adeptos (c) FPV

“Os clubes têm procura quando organizam eventos destes. Para entrar no campeonato é necessário organizar três corridas, mas em Braga nunca fizeram nenhuma”, aponta, deixando, no entanto, elogios ao trabalho dos aerocontroladores bracarenses.

“O clube tem capacidade para organizar estas provas, o pessoal é muito profissional mas estão mais dedicados à área dos aviões e das acrobacias e em termos de drones não estão muito ativos. Mas é tudo uma questão de formalizar e meter mãos ao comando”, vinca.

Rui Antunes põe mãos ao controlador já este sábado com mais uma etapa do Campeonato Nacional de Drone-Racing, a realizar em Tomar.

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Jornalista