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Está à procura de apartamento para alugar em Braga? Cuidado com as burlas

Espaço cuidado e barato atrai dezenas de interessados. Mas não existe.
Fernando André Silva

Várias pessoas estão a ser enganadas por um anúncio de aluguer de um T2 na cidade de Braga, durante as últimas semanas.

O interessado contacta um alegado proprietário através de um site de procura de apartamentos online, como tantos outros, mas, ao fim de alguns emails trocados, é pedido um depósito em dinheiro para visitar o apartamento, e, no final, o apartamento não existe.

O anúncio foi publicado no site de classificados do Correio da Manhã e reproduzido no site Trovit.pt, no passado dia 19 de setembro e foi, entretanto, retirado. [Apesar de indicar T3 no anúncio, a falsa proprietária refere-se a ele como um T2].

Após o contacto com o proprietário através do site que aloja o anúncio, é enviado um email de uma alegada senhoria desse mesmo apartamento.

O T2 está para alugar por 360 euros mensais numa das zonas mais caras de Braga, onde a média de renda nunca é inferior a 600 euros.

As fotografias enviadas pela alegada senhoria mostram um recheio de luxo, afirmando a mesma que a renda inclui água, eletricidade, Internet banda larga sem fio, TV digital, lava-louças, microondas, “geladeira”, máquina de lavar roupa e ainda uma vaga de estacionamento.

Por si só, e tendo em conta os preços médios das rendas em Braga, toda esta “oferta” parece logo demasiado boa para ser verdade. E é.

O T2 não existe

Apartamentos por cima do 101 não estão disponíveis para aluguer

O número de porta indicado no anúncio [101] está situado em Lamaçães e ao que apurámos no local não está disponível para alugar porque… não existe. O 101 pertence a uma pastelaria. Mas não é isso que nos diz a alegada proprietária nos emails trocados.

Ao perceber o interesse, a proprietária explica que o negócio vai ser feito através do conhecido site de alojamento Airbnb, onde devemos depositar uma caução para ter acesso ao aluguer.

A contactante pede ainda o nome completo e um número de telemóvel para remeter um link, supostamente para o site em questão onde podemos efetuar a reserva.

A proprietária garante que essa caução será devolvida ou então abatida no aluguer. Diz ainda que um agente daquela plataforma entrará em contacto para entregar a chave do apartamento e assinar contrato anual.

Enquanto o site oficial é Airbnb.com, este é enganador, mas não termina no (.com), continuando a ligação em hifen (-).

O interessado no aluguer é então reencaminhado para um site idêntico à conhecida plataforma de alojamento Airbnb, na qual a proprietária diz “estar registada e confirmada pela empresa”.

Os critérios de seleção dessa plataforma são rigorosos, passando inclusive por “carimbo” governamental, dando credibilidade à suposta proprietária.

No entanto, o link encaminha o utilizador para outro site, bastante similar ao certificado pelo Governo, e que não passa de um site para consumar a fraude.

O contacto

Contactámos o anunciante na passada quinta-feira de forma a conseguir um eventual aluguer do apartamento. Recebemos resposta na manhã de sexta-feira.

O email, extenso e a notar-se que o português não era a língua materna, estava assinado por Anna Dante, que se apresentava como proprietária do apartamento situado no número 101 da rua Luís António Correia.

A falsa proprietária apresenta-se como italiana diz que terá de fazer o negócio do aluguer à distância porque trabalha numa grande farmacêutica, recorrendo para isso à empresa de alojamento Airbnb. Em anexo envia fotos do interior do suposto apartamento, sem nunca mostrar o exterior.

Este foi o terceiro email remetido pela falsa proprietária

No entanto, o n.º 101 daquela rua corresponde a uma pastelaria e não tem qualquer quarto para alugar, como constatamos junto da gerência da loja. Já no n.º 100 e no 99 existem apartamentos, mas estão todos habitados. Também contactámos a empresa onde diz trabalhar na cidade de Parma, uma alegada farmacêutica, mas a morada e contacto pertencem a uma instituição bancária, e não tem qualquer “Anna Dante” como colaboradora.

Passam pelo 101 a perguntar pela “dona italiana”

O Semanário V falou com moradores dos dois prédios ao redor do n.º 101 e não há registos de inquilinos de nacionalidade italiana nos últimos anos. Também os proprietários do café no 101 desconhecem moradores dessa nacionalidade e apontam que, “desde a última semana”, já várias pessoas passaram por aquela loja a perguntar pelo apartamento e por uma “dona italiana”.

Anúncio fraudulento foi publicado no site de imóveis do Correio da Manhã e republicado pelo Trovit.pt

“A maior parte vai embora desiludida mas quase todos comentam que deve ser burla”, disse o gerente da pastelaria ao Semanário V. Também nos prédios ao redor foi confirmado que não há qualquer apartamento disponível para alugar. Desconhece-se, no entanto, se alguém “caiu” neste conto do vigário, que ainda decorre online e com várias pessoas.

Não há qualquer registo de queixa por este tipo de burla na PSP de Braga, o que indica que poderá não ter funcionado como o esperado para os burlões. A própria polícia incentiva a que, caso alguém tenha sido burlado neste esquema, que contacte as autoridades para apresentar queixa-crime.

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Fernando André Silva

Jornalista