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PS/Vila Verde aponta irregularidades na ciclovia. Câmara diz não haver conflito

Fernando André Silva

Foi aprovada uma proposta da Câmara de Vila Verde para alteração do plano de pormenor junto à Igreja Matriz, para a construção de uma casa mortuária. O PS votou a favor mas alertou para alegadas irregularidades no plano por não constar no mesmo a nova ciclovia. Segundo a Câmara, a ciclovia está assinalada com os passeios que já constavam, não existindo conflito por continuarem a destinar-se à circulação de peões.

João Silva, deputado eleito pelos socialistas, questionou a Câmara quanto ao plano de pormenor. O deputado aponta que esta alteração aprovada na passada sexta-feira não tem prevista a inclusão da ciclovia urbana, a qual diz ter “um traçado peculiar” e que “tem contribuído para alimentar as redes sociais com críticas que nada dignificam o município”.

António Barbosa, deputado do PSD, refere que esta alteração ao plano visa apenas construir a casa mortuária, por ser “uma obra há muito esperada pela população”. O deputado refere que um plano de pormenor não é estático e está sujeito a alterações. “A modernidade é inevitavel. Certas zonas são protegidas, mas com a dinâmica, eles têm de decidir em prol do cidadão. É o que está a acontecer. São zonas com potencial e têm de ser transformadas”, aponta.

Contactado pelo Semanário V, o vice-presidente da Câmara de Vila Verde, Manuel Lopes, referiu que não há qualquer irregularidade porque o traçado está previamente definido como zona de circulação pública, devido aos passeios, e vai manter esse estatuto.

“No nosso entender não é necessário incluir o traçado da ciclovia na alteração ao plano de pormenor porque a obra não altera a utilização genérica da via pedonal que já existia”, refere, dizendo que apenas seria necessária uma alteração no plano caso houvesse uma “completa destruição de passeios” ou “supressão de lugares de estacionamento”.

“Neste caso, os técnicos consideram que a ciclovia não altera o uso daquele espaço porque continua a ser destinado à circulação de pessoas, seja a pé ou de bicicleta”, vinca.

Questionado pelo V se não será perigoso esta forma partilhada da ciclovia, o também vereador das obras públicas refere que “as pessoas que circulem a pé ou de bicicleta vão ter sempre de o fazer com cuidados”.

“Sabemos que a zona central da vila não tem estradas com grandes espaços para construir a ciclovia por isso tivemos que adaptar o espaço disponível e criar condições para atravessadouros de pessoas e de viaturas em simultâneo”, diz ainda Manuel Lopes.

O vereador aponta ainda que, até final do ano, há a estimativa de que todos os “degraus” que agora existem estejam resolvidos. “Os peões vão beneficiar desta obra, designadamente os de mobilidade reduzida, e quando a obra estiver pronta, certamente vamos acompanhar para eventuais erros que possam ter existido na construção”, termina.

Críticas à ciclovia

João Silva, durante a Assembleia Municipal da passada sexta-feira, lançou ainda algumas críticas ao traçado da ciclovia, apontando que “lá fora as pessoas criticam”. “Às vezes erramos e a vida é assim. A ciclovia estará num traçado que não é o melhor. Apelo à CMVV para fazer algumas alterações porque não está a fazer sentido o que se passa, a nível do plano urbanístico”, aponta.

António Barbosa, sem referir a ciclovia, aponta que a alteração votada era surge porque a casa mortuária constava no plano de pormenor, mas noutro local. “Vai ser construida perto do ringue, numa casa que era de particulares”, assinala, referindo que “o plano de pormenor não deve nunca ser dado como estático”.

Já Martinho Gonçalves, deputado socialista, referiu que o PS quis apenas alertar para uma situação que “parece violadora da lei”. “Há um parecer da CCDR que refere que tudo o que é espaço público, viário e pedonal, tem de estar incluído no plano, e não é isso que vemos”, finaliza.

A alteração do plano foi aprovada com votos do PSD e do PS e abstenções do CDS.

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Jornalista