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Colheitas sem estacionamento põe viaturas a ocupar traçado da ciclovia em Vila Verde

Redação
Escrito por Redação

Vila Verde vive dias de grande afluência devido à Festa das Colheitas que decorre até ao próximo domingo, no Largo da Feira, no centro da vila.

O estacionamento nesta altura do ano é habitualmente caótico, mas esta ano, os automobilistas estão insatisfeitos porque vêm cada vez menos lugares de estacionamento disponíveis ano após ano.

Ao Semanário V, Rui Barreira, vindo de Braga relata que habitualmente estacionava o carro junto à antiga adega cooperativa, mas quando chegou este ano deu com a “cara na chapa”, refere o bracarense. “Para a próxima venho de Uber”, diz, entre risos, o taxista de profissão.

Também Nuno Sequeira, de Ponte de Lima, acha que existem cada vez menos lugares para estacionar durante este período de festas no concelho. “Tenho cá família e arranjaram-me um lugarzito durante esta noite para guardar o carro, porque estava difícil deixar na rua, não há lugares em lado nenhum”, aponta o limiano.

Recorde-se que o largo da feira deixa de ficar disponível durante perto de duas semanas para estacionamentos e, este ano, o palco está montado ao lado, ocupando lugares que em outros anos estavam disponíveis, fruto de não haver palco principal na Praça Sto. António.

Ciclovia tem causado reações polémicas na sociedade civil de Vila Verde

A Construtora Estradas do Douro Lda, do Marco de Canaveses, foi a empresa escolhida pelo Município de Vila Verde para a construção da Ciclovia Urbana de Vila Verde. O contrato, que foi assinado a 22 de novembro do ano passado, tem previsão de conclusão no mesmo dia deste ano, já que o prazo legal para a obra é de 365 dias (ininterruptos) e tem um custo de 755.582,04€+IVA.

O projeto foi entregue à empresa Atelier, de Vila Verde, com Jorge Pereira – que cessou funções de gerente dessa empresa em março deste ano – a ser o representante legal a assinar o contrato, com o custo total perto dos 25 mil euros (20.250,00€+IVA). O projeto tem sido alvo de contestação pública maioritariamente pela população que mostra o seu desagrado nas redes sociais como a ciclovia está a ser construída.

Uma das primeiras vozes a insurgir-se contra os moldes da nova infraestrutura foi Carlos Braga, presidente dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde, que afirmou ser uma “falta de respeito” aquando da indicação de que a estátua de homenagem ao bombeiro teria de ser removida do seu local para instalação de um ponto de estacionamento para bicicletas naquela ciclovia.

Já Álvaro Santos, antigo candidato à Câmara de Vila Verde e figura destacada na área da Educação a nível nacional veio esta semana a público tecer algumas “correções” ao traçado da nova ciclovia que atravessa o centro de Vila Verde. Perante estas declarações, Carlos Braga reforçou através das redes sociais: “Até que enfim, uma voz credível do nosso burgo, reconhece o mal que a Câmara Municipal está a fazer a Vila Verde”

Já no início das obras, e julho deste ano, o proprietário de um pequeno terreno junto à Casa de Alvelos, na Av. Dr. Francisco de Sá Carneiro, em Vila Verde, insatisfeito com as condições apresentadas pela Câmara de Vila Verde para passagem da ciclovia à face do terreno, plantou milho na berma, ainda dentro do próprio terreno, mas o suficiente para “boicotar” a passagem da ciclovia partilhada que já estaria construída em toda a extensão daquela rua, menos naqueles dez metros de terreno, obrigando os utentes a seguir pela estrada.

Nas redes sociais pode ler-se comentários como “sempre imaginei uma ciclovia junto ao rio com uma passagem pelos centros escolares e uma única via pelo centro da Vila!”, “não se devem esquecer também das pessoas com mobilidade reduzida, utilizadores de cadeira de rodas, trotinetes adpatadas”, “nada a dizer, só quem anda de bike entende que esta ciclovia não serve para nada”, “vê se bem que isto foi projetado por quem não sabe nem imagina o que é uma ciclovia”, “não arranjam as estradas é só buracos e fazem uma ciclovia onde não passa uma bicicleta pela outra”.

A contestação aumenta e ao Semanário V, um dos responsáveis pela obra garante que todas as regras estão a ser tidas em conta e que esta ciclovia também está a servir para reordenar algumas vias, como em frente ao quartel dos Bombeiros de Vila Verde, em que a via tinha largura para três carros em simultâneo, ficando agora “normalizada”, resposta que irritou o presidente dos Bombeiros que lembrou a saída das viaturas em emergência e o caos agora provocado nessas alturas.

António Vilela fala em 40 lombas e passadeiras elevadas para complementar a nova obra

António Vilela anunciou na última Assembleia Municipal, realizada na sexta-feira [28 de setembro], que estão previstas “mais de quatro dezenas de lombas e passadeiras elevadas” a propósito de críticas à nova ciclovia.

Além do que já está à vista de todos, o edil reforça que será criada uma rede de passadeiras, que, garantiu o edil, já estariam previstas no projeto, que “melhorarão a circulação com mobilidade condicionada e a segurança rodoviária”.

Na resposta ao clima instalado por entre a sociedade civil de Vila Verde, que tem motivado várias críticas a esta obra em curso, o edil referiu que um dos erros apontados pela população, que serão os locais que terminam em degrau, vão ligar com passadeiras e lombas para “mobilidade pedonal”. António Vilela assegura que em nada tem a ver com as críticas e que tudo já estaria previsto no projeto inicialmente.

O autarca revelou que “nos próximos dias”, vão ser construídas as primeiras passadeiras elevadas junto aos estabelecimentos de ensino e em outros locais que, sem mencionar quais, o edil aponta como “zonas de maior velocidade e perigo para peões e ciclistas”.

“Isto não são opções avulso como parecem fazer crer. São estratégias definidas pelo executivo para a mobilidade sustentável em Vila Verde”, disse.

O edil dá o exemplo dos lanços de passeio recentemente construídos na entrada norte de Vila Verde, junto ao Intermarché, revelando que o mesmo irá acontecer na zona sul.

Porquê uma ciclovia e não uma ecovia?

“Isto é um investimento no âmbito do financiamento de um plano que só pode ser utilizado em mobilidade sustentável, ou seja, no meio das zonas urbanas. Por isso é que estamos a construir a ciclovia e não ainda a ecovia junto ao rio Cávado e Homem”, garantiu Vilela, reforçando que a Ecovia está para breve.

No entanto, esta semana foi assinado protocolo para a construção da 48 quilómetros de lanço da Ecovia do Cávado, com o concelho de Vila Verde a não ser “chamado” ao acordo entre Esposende e Barcelos por ainda não ter garantido os terrenos para construção.

“Há muitas e importantes obras em Vila Verde e a ciclovia é uma delas”

“Um projeto de mobilidade sustentável que vai dar atos de vida saudável, circulação sustentável e entregar as praças e avenidas à população de Vila Verde”. Também Alberto Rodrigues, deputado eleito pelo PSD, defendeu a obra em curso afirmando que “traz óbvias vantagens para todos”.

O deputado refere que “só não vê quem não quer ver” que a obra vai ainda incluir “passadeiras niveladas, proteções laterais junto a estacionamentos e ligações às zonas de lazer e à obra da adega cooperativa”.

“Confio na capacidade dos técnicos e engenheiros da Câmara de Vila Verde e sei que tudo será acautelado e a melhoria das vias para pessoas com mobilidade reduzida será prioritário”, disse.

Sobre a ecovia, Rodrigues garante que as negociações para expropriação de terrenos nas zonas ribeirinhas “estão em progresso”. “Sei que para alguns poucos seria bom que não houvesse obra mas há, e importantes para melhorar a vida dos vila-verdenses e a ciclovia é uma delas”, vincou.

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