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Palacete atingido pelas chamas era referência da “Arte Nova” em Braga

Fernando André Silva

Um dos edifícios atingidos pelas chamas durante um incêndio urbano na tarde deste domingo é um palacete cujo projeto é da autoria de Ernesto Korrodi, o mesmo autor do Palácio de Dona Chica, em Palmeira, e era construído com bastante recurso a madeira.

O palacete Domingos Afonso, situado em São Vicente, foi o epicentro das chamas que lavraram ainda em edifícios ao redor daquela construção devoluta que tinha sido recentemente sugerida para a construção de uma unidade hoteleira de charme.

O palacete, mandado construir na década de 1910, é uma das referências da chamada “Arte Nova” da cidade e estava devoluto há vários anos, tendo sido construído predominantemente em madeira, sendo mesmo apontando como um exemplo da importância da madeira no património arquitetónico.

O estilo “Arte Nova”, ou Art Noveau, esteve implementado em Portugal entre 1905 e 1920, e a principal linha era a decoração e ornamentação de portões, varandas e escadarias, trabalhadas minuciosamente por artesãos que elaboravam contornos típicos do estilo.

Na dissertação de mestrado de Ricardo José Pires Braga, sob o título “Recuperação da madeira no património arquitetónico : reabilitação do Palacete de Domingos Afonso em Braga”, são apontadas “onze estratégias de recuperação dos elementos existentes em madeira no Palacete, que necessitam de intervenção”.

No documento, datado de 2013 no âmbito de uma licenciatura em arquitetura, era proposto a adaptação do edifício para “uma unidade hoteleira de charme”.  No entanto, permaneceu devoluto até aos dias de hoje.

O atual presidente da Junta de São Victor, Ricardo Silva, já tinha alertado em 2012, através da associação JovemCoop, que era necessário reabilitar o palacete devido à invasão por parte de toxicodependentes que, por vezes, causam fogos.

Também o movimento “Braga Maior”, em 2012, organizou uma petição tendo em mente “Salvar o Palacete de Domingos Afonso”.

Desconhece-se ainda a origem das chamas e os prejuízos registados.

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Jornalista