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Rogério Braga tem nova banda e fomos assistir a um ensaio

Mariana Gomes
Escrito por Mariana Gomes

Relaxado, divertido e espontâneo, Rogério Braga tem músicas novas e uma banda para apresentar. Deu o primeiro concerto ao vivo aos 8 anos e agora, com 20, vai pisar o palco com mais oito pessoas, um sonho que queria alcançar desde que começou a cantar. Acompanhámos um ensaio e falamos com ele.

Duas raparigas e seis rapazes compõem o grupo. Rogério Braga dá voz ao projeto que começou com apenas ele e uma guitarra há cerca de uma década. O objetivo é chegarem a dez membros, mas por agora estão oito, apesar de um outro músico já se ter juntado, mas ainda não ensaia com a banda.

Passa das quatro da tarde quando o grupo se começa a juntar na casa de Rogério, em Prado, para o ensaio. Chegam aos poucos. “Toca aí enquanto eles não chegam” Diz Rogério aos restantes quatro músicos na sala, ocupada com mais de 10 cadeiras, várias guitarras, uma bateria, um violoncelo e o microfone dele, para o grupo com idades compreendidas entre os 16 e os 23.

Sem ser precisa uma resposta, Pedro começa a tocar piano e Rogério junta-lhe a voz. Um dos membros pergunta qual é a música e, de novo, ninguém responde, mas não é preciso. O violoncelo entra e faz-se música.

A 13 dias da estreia oficial como banda, os oito membros, com duas convidadas especiais, juntam-se dentro de quatro paredes para tocar o reportório. Ainda não chegaram todos, mas cinco músicos num círculo já ocupam a sala, enquanto tocam algumas melodias, rodeados de folhas com letras de músicas espalhadas pela sala, deixadas em cadeiras ou até no chão.

“Dancing Queen? OK”. Não espera por uma resposta. Rogério agarra na guitarra e começam a tocar as primeiras notas da música. Junta-se o violoncelo do Pedro Gil à guitarra. E a voz… Do nada, já estão todos a tocar. Ao mesmo tempo, o irmão mais novo, também Pedro, distribui garrafas de água pelos lugares da sala, sem nunca interromper.

“Está?” Pergunta quando acabam a música. “Acho que sim”, acrescenta quando ninguém lhe responde.

Rogério troca de guitarra conforme a música, usa cerca de 5 guitarras durante o concerto, e vai contando uma história sobre um casamento onde tocou há pouco tempo. Foi operado ao joelho há um mês, por isso a vida da canoagem está em suspenso. É o sexto melhor atleta sub-23 do país e, antes da lesão, conseguia conciliar a música, a canoagem e os estudos. Ainda tem pela frente três anos para terminar o curso de arquitetura na Universidade do Minho, um objetivo que tem desde pequeno.

Com isto, não se levanta para abrir a porta quando a campainha toca. E porque está a tocar de novo a “Dancing Queen”. Os restantes três membros que faltavam entram na pequena sala, mas não interrompem. Juntam-se o Bruno, com o trompete, a Rita, com a viola d’arco e a Rosana com o violino.

Começou a ensaiar com banda em janeiro. Ele “e mais quatro cordas, o violino, violoncelo, viola d’arco e baixo” do Gonçalo. Depois juntou-se o baterista, Diogo, e o pianista, Pedro”.

Há uma empatia enorme e uma energia contagiante. Um começa a tocar e os outros juntam-se, não precisam de trocar palavras, mas trocam olhares de vez em quando e entre eles sabem o que devem fazer.

É difícil juntar a banda toda, mas quando se juntam acontece magia. Trabalhar em grupo traz mais responsabilidade, “muito trabalho, coordenação e atenção, mas é muito mais emocionante”, admite. O estilo, consideram-no pop, “na sua generalidade, mas com misturas de jazz, blues e rock ‘n’ roll”.

A meio do ensaio, são interrompidos pela costureira. Rogério explica que vão adotar um estilo vintage para o concerto de apresentação, mas confessa que ainda não escolheu a roupa que vai usar.

“Vamos descansar um bocadinho” Ele pede, mas não descansam. Em vez disso, começam a tocar outra música, aos poucos. Procuram as folhas, tocam alguns acordes. “Isto é o início do concerto” diz Rogério, mas estão a ensaiar a música perto do fim do ensaio. A boa disposição é evidente dentro do grupo.

O reportório inclui temas originais e covers. Rogério começou a escrever as próprias músicas baseadas em experiências pessoais, ainda em criança e confessa que não se sente à vontade para escrever uma letra acerca de algo que ele não tenha vivido. Tocar ao vivo músicas que escreveu, revela, é uma experiência diferente e “tornam o espetáculo mais pessoal”, porque as sente verdadeiramente e relembram-lhe do que sentiu no momento que as escreveu. E a verdade é que a sua voz está carregada de emoção, enquanto ensaia a música que vai abrir o concerto do dia 13. Rogério vibra com cada música que toca, seja mais calma ou mais mexida.

A Rita pousa a viola d’arco e está a tentar perceber algumas trocas que estão a ser feitas e tem de gritar para chamar a atenção do grupo. Eles riem-se e lá lhe explicam o que alteraram. “Eu não percebi nada do que é para ser feito”, alguém comenta, mas voltam a não responder e não foi preciso, porque não se percebeu como é que começam a tocar ao mesmo tempo, sem dar sinal.

Tocam o instrumental da música que vai abrir o concerto, mas a conversa dispersa-se. “Pessoal, vamos lá começar”, ele interrompe. Enquanto continuam a falar, Rogério começa a tocar guitarra e a sussurrar alguma música. Não foi preciso muito tempo para todos se sentarem em silêncio e se juntarem à música. A dinâmica dentro do grupo é evidente. Trabalhar em grupo pode ser um desafio por vezes, mas também traz energia e o entusiasmo é contagiante.

O ensaio serviu como preparação para a próxima aparição de Rogério Braga, como banda, a 13 de outubro na EPATV, às 21h30, num concerto com uma vertente solidária. A organização sem fins lucrativos ReFood estará à entrada a receber alimentos.

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