Editorial Opinião

Editorial. A verdade e nada mais que a verdade

Esta semana apresentamos um novo trabalho de escrutínio do erário público e da promiscuidade política entre autarcas do concelho de Vila Verde. É dos primeiros trabalhos de uma série de investigações que temos levado a cabo durante os últimos dois anos sobre o modus operandi da política e da hegemonia PSD do concelho.

Para isso, consultamos centenas de documentos, falámos com advogados, juristas e até contabilistas. Consultamos vários portais do Governo, onde a informação está disponível para quem quiser perceber como é gasto o dinheiro das obras em Vila Verde. Também falámos com os visados, pelo menos aqueles que quiseram falar, e nenhum pareceu estar muito incomodado com a situação, remetendo a representação das empresas ou para a mulher, para as irmãs e até para uma sogra. Pode até não ser ilegal. Mas é ético? Acho que a resposta está à vista de todos.

Sabemos o que esta matéria nos vai trazer. Dificuldades em obter informações da maior parte dos presidentes de junta, pelo menos os afectos ao PSD, que serão mais de 90% dos existentes no concelho. Isso compromete-nos perante os leitores para uma busca assertiva do que acontece nas freguesias. Vai também deteriorar ainda mais as relações com a Câmara de Vila Verde, que, desde o início deste jornal, se mostrou indisponível para nos enviar qualquer tipo de informação oficial por parte do Gabinete do Presidente da Câmara, na pessoa do senhor Carlos Tiago Alves. No entanto, temos ido às Assembleias Municipais e registado avidamente o que António Vilela diz para melhor informar os nossos leitores. Sem qualquer rancor. Pois é esse o nosso trabalho.

Continuámos a acreditar que o caminho do jornalismo nunca pode ser o caminho de uma autarquia. Temos exemplos locais do que pode acontecer quando isso acontece. A nossa “concorrência”, por exemplo. Mas isso está guardado para as prometidas futuras matérias que vão revelar muito dos negócios “políticos” que existem em Vila Verde.

Deixámos, no entanto, uma ressalva aos restantes partidos políticos do concelho. É que, tudo o que está aqui escrito, era do conhecimento dos candidatos do PS e do CDS [José Morais e Paulo Marques], mas nenhum se pronunciou sobre o assunto publicamente. José Morais pode até ter mencionado o assunto durante a última Assembleia Municipal, mas não foi além de murmúrios. Já Paulo Marques, não o poderia fazer, porque não é visto nas AM há já muito tempo.

Mais uma vez, temos que nos substituir aos responsáveis políticos que deveriam escrutinar estas matérias, e arcar com as respectivas consequências que nos dificultam o trabalho de redação. Mas a verdade, e só a verdade nos move, e se para isso tivermos de cortar relações com quem não nos diz a verdade, que assim seja

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Paulo Moreira Mesquita

Paulo Moreira Mesquita

Diretor Semanário V