Andreia Santos Opinião

Opinião. “Sorte”

Andreia Santos
Escrito por Andreia Santos

E já cá chegamos: a Outubro, ao Outono que apareceu de mansinho. Espero que estejas bem e com um grande fresh start no novo ano de trabalho. Hoje, para não variar muito, trago-te uma pergunta, daquelas que faço muitas vezes a mim e aos outros… Cá vai: acreditas na sorte? Vou dar-te a minha resposta, e confesso, espero convencer-te a continuar, a melhorar ou a mudar de escolhas. Eu acredito na sorte. Mas não só.

Há pouco tempo, numa conversa sobre as coisas de que nos orgulhamos, os meus amigos perguntavam-me o que poderão ser essas coisas. Disse-lhes que depende de cada um, do nosso feitio e da forma como crescemos. Isto parece óbvio, mas há mais para dizer. James Clear, num artigo sobre “Lições de Vida”, explica porquê: em síntese uma das coisas que na vida não escolhemos é por exemplo a família em que nascemos, o país em que estamos quando respiramos a primeira vez fora da mãe, se sou portuguesa ou afegã… e isto, acrescento, dita o que mais tarde nos irá orgulhar. Neste artigo, como no seu livro, Atomic Habits, o autor explica, citando Warren Buffet, que a lotaria da nascença determina em grande medida a nossa capacidade de alcançar sucesso na vida e diz-nos que quanto mais absoluto for o sucesso, “ser o melhor do mundo numa área”, maior a possibilidade de este ser atribuído à sorte. É um facto. Mas também nos fala do sucesso relativo, vantagem que se mede em comparação com aos seres que estão nas mesmas condições de partida que nós, porque é que em condições semelhantes nem todos temos os mesmos resultados? (Gostava que pensasses numa corrida, pode ser mesmo em Atletismo, e na importância que tem o ponto de partida de cada atleta consoante a distância vai aumentando deste: será cada vez menos relevante para a vitória a posição que ocupamos no agora.) Com isto quero dizer-te que, acreditando na sorte, confio muito mais, com mais força, no trabalho árduo e no poder pessoal para fazer acontecer.

Possivelmente pessoas nascidas com condições favoráveis terão um tipo de orgulho distinto daquelas que têm que ultrapassar a fronteira das limitações do status quo, apenas porque não farão o mesmo caminho e porque as questões de poder condicionam sim as nossas vivências. O sucesso absoluto depende mais das variáveis que de nós. O sucesso relativo, menos global, depende acima de tudo das nossas escolhas e hábitos, da disciplina que temos no caminho dos nossos objectivos. E sim, isto, não tem nada que ver com sorte, mas com o que invisivelmente temos para lá chegar e assim colocar a estrela do nosso lado… Como é que isto se faz? Simplesmente, “fazendo”! “A pessoa que trabalha arduamente, que persegue a oportunidade e arrisca mais, está mais capaz de encontrar o intervalo da sorte que a pessoa que espera que lhe aconteça.” Não é uma história que se conta a ideia de que “quanto mais eu pratico, mais sorte eu tenho”. É mesmo assim: controlando o esforço e a preparação para os momentos decisivos estaremos aptos a fazer mais sério o ditado, também sincero, que nos diz que a sorte protege os audazes e a tornar mais firmes as convicções do mérito e da justiça. Vale para ti?

Para terminar por agora, que no próximo mês nos possamos orgulhar do caminho feito, acima de tudo porque alguns passos foram dados sem lamento e com toda a determinação de saber o que podemos vencer. (Não tem mal nenhum e é devido sentir orgulho o que fazemos bem e à nossa custa). Boa sorte, que é como quem diz, bom trabalho! Até já!

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Acerca do autor

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Andreia Santos

Psicóloga Clínica e da Saúde Formadora Profissional