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Universidade do Minho desenvolve robot personal trainer de idosos

Fernando André Silva

Chama-se “Pharos” e é o novo amigo interativo dos idosos, com vista a combater a solidão e promover o envelhecimento ativo da população. É um projeto lusoespanhol desenvolvido pela Universidade do Minho (UMinho) e pelas “vizinhas” Universidade Politécnica de Valência (UPV) e Universidade de Alicante.

“Mais um amigo” é um dos lemas de “Pharos”, revelado hoje ao público pela agência espanhola Efe, citando dados obtidos junto da UPV. Os investigadores das três universidades estão a desenvolver este robot para ser utilizado no dia-a-dia, recomendando atividades físicas personalizadas, como destaca um dos investigadores espanhóis inserido no projeto.

Segundo Vicente Julián, do departamento de Tecnologia Informática e Inteligência Artifical da UPV, em declarações à imprensa espanhola, revela que “Pharos” quer ajudar os idosos com a atividade física e quer tornar-se um assistente virtual, amigável e de fácil utilização que possa promover uma vida mais saudável e alertar para eventuais problemas de saúde.

Para os investigadores, a tecnologia tem de conseguir adaptar-se a mudanças demográficas da população mundial que apontam, segundo os últimos dados da ONU, 13% da população mundial com mais de 60 anos e, em 2050, o dobro.

“Pharos” é um modelo “pepper” de semi-humanóide fabricado no Japão que utiliza um interface visual e físico para interagir com o utilizador. No primeiro módulo, o robot recomenda um programa de exercícios personalizados para cada utilizador. No segundo módulo, que utiliza inteligência artificial, o robot avalia o rendimento do utilizador e verifica se a atividade está a ser feita de forma adequada.

Ester Martinez, investigadora do Grupo de Robótica e Visão Tridimensional da UA, refere à Efe que o robot seleciona os exercícios mais adequados conforme as capacidades físicas do utilizador, avaliando também o “durante o exercício”, lançando alertas caso algo de anormal se passe a nível de saúde.

Segundo os investigadores, a diferença entre Pharos e outros sistemas similares passa pelo acompanhamento “minucioso” dos utilizadores, com a novidade a ser a avaliação dos exercícios, fazendo deste robot também um “personal trainer”.

Pharos é “muito útil para prestadores de cuidados de saúde porque permite visualizar de forma rápida a resistência para certo tipo de exercício, revelando possíveis problemas físicos e/ou cognitivo-progressivos”, diz a equipa de investigação, afirmando que “de outro modo, certos problemas de saúde seriam impossíveis de detetar”.

Neste momento, a equipa de investigadores das três universidades estão a aperfeiçoar a interação utilizador/robot, otimizando o sistema de reconhecimento dos exercícios. Estão também a tentar conseguir que Pharos possa ser utilizado entre vários utilizadores, cada qual com o seu plano personalizado.

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Fernando André Silva

Jornalista